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Opinião

Um espa�o para a arte do povo

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| Anilda Leão * Maceió, atualmente, pode se considerar uma cidade bem servida em termos de espaços para as artes cênicas. Além do Teatro Deodoro e do seu filho mais novo, o Arena, criado pelo nosso querido Bráulio Leite, temos o Jofre Soares, pertencente ao SESC, o Teatro do Colégio Marista e até o bairro do Benedito Bentes possui o seu, este por uma bela iniciativa do Pedro Onofre. Tínhamos também o Lima Filho, no antigo prédio da Secretaria de Cultura, que soubemos estar completamente desativado. Além do Espaço Cultural da UFAL e das duas salas do SESI, na Pajuçara. E, no final do ano que passou, o governo do Estado inaugurou o maior e mais moderno de todos, o Teatro do Centro de Convenções, a que foi dado o nome de Gustavo Leite, numa homenagem bem merecida, vindo a preencher o que nos faltava para receber apresentações teatrais ou musicais de grande porte. Sabemos, porém, que os aluguéis desses espaços, principalmente daqueles mais elitizados, não estão ao alcance dos bolsos dos nossos artistas, pois conheço bem de perto as dificuldades enfrentadas por quem se dedica à cena local. A maioria da nossa gente que faz teatro o faz com a cara e a coragem e pouco dispõe de patrocínio das empresas aqui sediadas, que a maioria dos nossos empresários ainda vê a arte como diletantismo ou coisa de desocupados. É essa a verdade. E o que dizer então dos nossos mestres do folclore? Apresentam-se em suas periferias, em locais muitas vezes improvisados. É verdade que o Museu Théo Brandão vem suprindo essa carência com as apresentações das quintas-feiras, mas, ao nosso ver, em local inadequado, sem acústica apropriada e sem conforto para os espectadores, a maioria turistas de outros estados e de outros países. Foi justamente ao passar pela frente do Théo Brandão, e ver o que a mim ficou parecendo uma boca banguela, enfim, ao ver o crime que foi a demolição da casa contígua ao mesmo, que passou pela minha cabeça a idéia de que ali, integrado ao museu, como um prolongamento do mesmo, poderia ser o espaço ideal para o soerguimento de um espaço cênico voltado para as nossas tradições populares e folclóricas! E sonhei, então, com um poder público mais sintonizado com os interesses do povo, um governo que, como punição aos autores daquele crime contra a cidade, desapropriasse o imóvel e o entregasse a nossa universidade para ali ser implantado o Teatro do Povo Alagoano! Seria uma lição e tanto aos usurários, aos que pensam apenas nas vantagens financeiras. (*) É poeta, atriz e escritora.

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