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Nº 5730
Opinião

Pegadinhas

| Ronald Mendonça * Fugindo do seu estilo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso soltou as cachorras essa semana, numa entrevista à revista IstoÉ, concluindo que a ética do PT estava em roubar. Em relação a esse deprimente esquema de corrupção que es

Por | Edição do dia 11/02/2006 - Matéria atualizada em 11/02/2006 às 00h00

| Ronald Mendonça * Fugindo do seu estilo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso soltou as cachorras essa semana, numa entrevista à revista IstoÉ, concluindo que a ética do PT estava em roubar. Em relação a esse deprimente esquema de corrupção que estarreceu o País, o papel do presidente Lula seria, na hipótese mais generosa, de um grande comedor de moscas. Acuados pelas óbvias revelações, raros gatos pingados morderam a corda, esperneando em defesa da outrora suposta honra petista. Nem Robério de Ogum imaginaria que pouco mais de dois anos de governo seriam suficientes para desmoralizar uma sigla tão cheia de empáfia (o fosso na tradição partidária é de tal grandeza que fez com que uma agremiação de ralos 20 anos tivesse assumido status de guardião da ética e da moral). O pouco barulho é, pois, compreensível. De fato, não há muito o que responder. O silêncio só não é maior porque os oito anos de FHC não foram também nada edificantes. Com efeito, além do que já se conhecia, muita bagaceira tem sido agora divulgada, inclusive incursões “técnicas” de Marcos Valério, o careca de riso sinistro, a alimentar caixa 2 do PSDB. A verdade é que a coisa fede por todo o lado. Hoje, a rixa limita-se em saber quem tem as mãos menos sujas. Embora denegado pela atual administração, a “era Lula” tem sido uma cópia xerox do governo anterior. Priorizando o econômico e o assistencialismo descarado, Palocci & Cia conseguiram a proeza de aumentar ainda mais o lucro dos banqueiros. No contexto, a classe média foi sendo devorada pela diabólica dupla, aumento de impostos/arrocho salarial. Correndo por fora, demolidoras multas ameaçam o acrobático orçamento doméstico. A moda pega. No item multa, por exemplo, a Prefeitura de Maceió, através da SMTT, é quase insuperável. Imaginem a notificação: “Dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança.’ Não satisfeito com a subjetividade, o arguto agente anotaria adiante: “Não observou gestos de agentes que se encontravam na via colocando em risco outros condutores.” Certamente não é para qualquer um conseguir enxergar o olhar de um motorista através de vidros escurecidos do veículo e óculos escuros. Graça ainda maior foi a do último fim de semana quando as “barreiras eletrônicas” do Litoral Norte - fugindo do que vinha sendo praticado, foram inopinadamente religadas. A intenção de surpreender e multar ficou flagrante. É a pegadinha eletrônica da DER-AL. (*) É médico e professor da Ufal.

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