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Nº 5731
Opinião

In�til paisagem

| Marcos Davi Melo * - Mais para quê? Pra que tanto céu, pra que tanto mar? Pra quê? De que servem? Os versos de Vinicius de Moraes, ao som da melodia de Tom Jobim que compõem um dos melhores momentos da Bossa Nova, poderiam ser respondidos que em Maceió

Por | Edição do dia 11/02/2006 - Matéria atualizada em 11/02/2006 às 00h00

| Marcos Davi Melo * - Mais para quê? Pra que tanto céu, pra que tanto mar? Pra quê? De que servem? Os versos de Vinicius de Moraes, ao som da melodia de Tom Jobim que compõem um dos melhores momentos da Bossa Nova, poderiam ser respondidos que em Maceió o mar, belo e plácido, foi feito para ser escondido por um monte de barracas de praia, que nos fins de semanas ficam lotadas de biriteiros, por monumentos que poderiam muito bem ser edificados em qualquer outro lugar, arquibancadas e camarotes que obstruíam tudo, injustificáveis clubes aquáticos; enfim, grotescas construções que escondem o que temos de melhor. No fim de semana passado, fui tomar um banho de mar na Barra de São Miguel, estava de molho dentro da água morna conversando com alguns amigos, entre eles um empresário, proprietário de um dos maiores e mais luxuosos hotéis de Maceió. A conversa com ele pode ser resumida no seguinte: os turistas estrangeiros adoram o mar de Alagoas e vêm somente para aproveitá-lo, mas 88% deles criticam a falta de saneamento. Eles vêm aqui só pelo mar que não encontram em lugar nenhum do mundo. É lamentável como, ao longo da nossa história, isto tem sido tratado com tanto desprezo, este que é certamente o nosso maior patrimônio: a nossa natureza e em particular o nosso mar e as nossas praias. Eu acompanhei de perto o nascimento do Alagoinhas. Quando sua sede era ainda em terra firme, fui a muitas e animadas festas, principalmente as de carnaval. Depois que ocupou o mar, expulsando os peixes, os siris, as arraias e os pescadores, eu não fui mais lá. Depois de tantos anos de obstrução da paisagem, o Serviço de Patrimônio da União consegue derrubar uma parte do monstrengo e recupera para a comunidade o que nunca lhe deveria ter sido tirado.Os nossos gestores públicos permitiram esta agressão à natureza, estiveram mal assessorados sempre que restringiram a visão do oceano para quem passa pela avenida. Como agora está ocorrendo com a reforma urbana da Pajuçara: logo que se faz a curva do Atlantic, a visão que se descortina da praia deveria ser ampla, irrestrita, relaxante e repousante, mas está sendo encoberta por inúmeras construções ( sanitários? Barracas? ) que ali se levantam. Por favor, senhores arquitetos e urbanistas, será que é preciso que os estrangeiros nos ensinem a ver o óbvio: que o nosso melhor cartão postal é a nossa natureza? As nossas praias? Vamos abrir os horizontes, vamos retirar estes monstrengos que obstruem a visão do que temos de melhor. (*) É médico.

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