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Nº 5730
Opinião

F� e pol�tica

| Dom José Carlos Melo, CM * Estamos vivendo nos dias atuais uma crise de valores, onde as pessoas confundem interesses de uma política partidária com a própria manifestação de fé. Fé e política são duas grandezas que têm suas autonomias e originalidades

Por | Edição do dia 12/02/2006 - Matéria atualizada em 12/02/2006 às 00h00

| Dom José Carlos Melo, CM * Estamos vivendo nos dias atuais uma crise de valores, onde as pessoas confundem interesses de uma política partidária com a própria manifestação de fé. Fé e política são duas grandezas que têm suas autonomias e originalidades próprias. A política é uma totalidade intra-história, intraterreste, que busca inserir no seu campo de compreensão e da estratégia todas as atividades humanas, prescindindo e, às vezes até negando indebitamente qualquer dimensão transcendente. Precisamos entender que a Igreja trabalha fundamentalmente com bens simbólicos: palavra e sacramento. As instâncias econômica e política são atingidas indiretamente por meio das práticas culturais e ideológicas. As atividades diretamente políticas ou econômicas não ocupam o interesse fundamental da Igreja, nem se situam no nível primordial de sua legitimação, perante sua consciência e perante a sociedade. Neste sentido interessa analisar quem são os destinatários principais da ação simbólica da Igreja. A quem se dirige sua pregação, sua ação pastoral. Além de destinatário, esse sujeito social na Igreja atua na própria produção da ação eclesial. Pois alguém só é verdadeiro destinatário se de certa maneira seu universo simbólico for participado por aqueles que geram a mensagem. Somos conscientes de que é dever do Estado respeitar, defender e promover os direitos das pessoas, das famílias e das instituições. Toda ação exercida sobre elas pelo Estado deve fundar-se no direito que deriva de sua responsabilidade pelo bem comum. Assim como a Igreja deve respeitar os direitos naturais e inerentes ao Estado legitimamente constituído, igualmente o Estado tem o dever de respeitar a liberdade religiosa das pessoas, bem como o direito divino que a Igreja tem de anunciar o evangelho, sem constituir-se em árbitro da ortodoxia da doutrina por ela anunciada. Hoje um grande número de sacerdotes, religiosos e leigos estará na cidade de são Luiz do Quitunde, não para arruaça política com objetivos de vingança, mas para reafirmar a liberdade e o respeito assegurados pela constituição e proclamar o amor ensinado por Jesus Cristo. A ordem política está sujeita à ordem moral. A Igreja procura definir sempre com maior clareza as exigências que da ordem moral decorrem para a ordem política. Nós, pastores, temos consciência de não estarmos exorbitando de nossa missão, quando proclamamos estas exigências e exortamos os cristãos a assumirem sua função específica na construção da sociedade. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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