Opinião
A mata atl�ntica
| Luciano de Carvalho * A mata atlântica foi a segunda maior floresta do nosso País. Foi originalmente uma formação vegetal que acompanhava o litoral brasileiro do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte e ligava-se à floresta amazônica. Ocupava na época do descobrimento uma área de 1.300.000 Km² (15 % do território brasileiro). Ganhou esse nome por acompanhar a costa atlântica. Hoje só restam 95.000 Km² (7,3 % da área original), em estados como o Rio Grande do Norte foi totalmente dizimada, só restando grandes áreas nos estados da região sudeste. A mata atlântica é uma mata tropical úmida, pois os ventos carregados de umidade que vêm do Oceano Atlântico são barrados pelas serras que acompanham toda a costa brasileira, formando grande quantidade de chuvas que, somadas ao calor dos trópicos, proporcionaram condições ideais para formação desse tipo de floresta. Seu clima é quente no nordeste, com temperaturas médias de 21-25°C, e um pouco frio no sudeste (14-21°C), chegando a esfriar em áreas de maior altitude no Sul do País (+1° a -6°C). Seus solos, apesar de serem menos pobres que o da floresta amazônica, também se mantém pela reciclagem dos restos vegetais e animais. Quando se derruba a mata, o solo facilmente empobrece, apenas sendo viável a agricultura com a aplicação de adubos e corretivos. Calcula-se que existam, na mata atlântica, 10.000 espécies de plantas, de todos os tipos e tamanhos (algumas com até 40 metros de altura), e 1.600.000 espécies de animais, grande parte em perigo de extinção. É a floresta mais rica em biodiversidade do mundo, maior até que a floresta amazônica. De cada 10 espécies de animais existentes no mundo, 02 estão na mata atlântica, em cada hectare existem em média 120 espécies vegetais diferentes. Em 1502, logo após o descobrimento do Brasil começa a destruição dessa floresta, primeiro com a derrubada de sua mais famosa árvore o pau-brasil, para ser vendida na Europa, estima-se que foram derrubadas 7.000.000 dessa espécie vegetal. Nos séculos seguintes veio a derrubada da floresta para implantação de: agricultura, pastos, minerações e também para construir as cidades e alimentar a então emergente indústria nacional. 70% de nossa população vive em áreas de domínio da mata atlântica, que, além de regular o clima, mantém as nascentes e mananciais que abastecem as cidades. A destruição do que resta dessa floresta pode ocasionar sérios danos ambientais, além dos já causados. (*) É engenheiro agrônomo e consultor ambiental.