Opinião
Caminho das ostras - Editorial
Saber trabalhar as próprias potencialidades é o caminho mais curto para um processo de desenvolvimento. Naturalmente, para uma comunidade fazer-se desenvolvida é necessário percorrer bem mais que um único caminho, pois várias forças produtivas devem ser liberadas em sendas articuladas, entrelaçadas, unindo vários segmentos da economia local e desta com a economia nacional e global. Mas certos setores, ou mesmo nichos de produção, têm dado ótimos exemplos ao encontrarem seus caminhos e neles saberem se posicionar. É o caso do cultivo de ostras no povoado de Palatéia (município de Barra de São Miguel), tema de reportagem de capa de nossa edição desse domingo, anteontem. Numa comunidade composta por 62 famílias, 20 estão ganhando seu sustento através do trabalho de cultivar ostras ? acepipe apreciado aqui e alhures. Barra de São Miguel, desde tempos imemoriais, tem a fama de ser um lugar no qual moradores e visitantes deliciam-se com ostras (de preferência cruas, ou levemente aquecidas). Durante tempos nunca contabilizados com precisão, as ostras têm sido colhidas artesanalmente, da forma que a natureza tem oferecido. Neste caminho, a extinção seria o fim da superexploração (há vários anos que o mercado local percebeu a diminuição da quantidade de ostras colhidas na Barra de São Miguel e até nas especiais águas de Roteiro). Com a correta intervenção científica, equilibrando os ecossistemas e planejando a produção e extração, as ostras voltaram ? em grande estilo ? a seu habitat e às mesas de aficionados, passando nesse meio de caminho pela sustentação de famílias, gerando renda de uma forma digna e sustentável. São exemplos como este que precisamos estudar, apoiar, copiar. Alagoas precisa saber aproveitar seus inúmeros potenciais, como neste caso dos maricultores do povoado de Palatéia.