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Nº 5730
Opinião

Os Bentos na hist�ria do papado

| Dom Edvaldo G. Amaral * Continuando a série de papas com o nome de Bento, iniciada no artigo anterior, encontraremos um Bento V em maio de 964, escolhido pela nobreza romana e rejeitado pelo imperador alemão Oto I, que já havia escolhido um antipapa de

Por | Edição do dia 17/02/2006 - Matéria atualizada em 17/02/2006 às 00h00

| Dom Edvaldo G. Amaral * Continuando a série de papas com o nome de Bento, iniciada no artigo anterior, encontraremos um Bento V em maio de 964, escolhido pela nobreza romana e rejeitado pelo imperador alemão Oto I, que já havia escolhido um antipapa de seu gosto, chamado Leão VIII. Bento V compareceu a um pseudoconcílio, convocado pelo antipapa e acusado de ter usurpado o papado, suplicou: “Se fiz algo de errado, tende piedade de mim!” Foi deposto em 23 de junho de 964 e faleceu no exílio em Hamburgo, em 966. Coisas do fim do primeiro milênio da história da Igreja... O Bento VI teve fim ainda mais triste. Apoiado pelo imperador foi eleito em 19 de janeiro de 973 e, após a morte de Oto I, como não era do agrado dos romanos, por sua origem germânica, foi feito prisioneiro no castelo Sant´Angelo e assassinado em julho de 974. Foi o novo imperador Oto II quem colocou Bento VII no trono de S. Pedro, em outubro de 974. Da família dos condes de Túscolo, conseguiu harmonizar o imperador com a aristocracia romana e assim pôde dedicar-se às tarefas apostólicas que andavam tão descuidadas. Incrementou a atividade missionária entre os povos germânicos e eslavos, retomou a reforma monástica e fez uma enérgica condenação da simonia (venda do sagrado). Faleceu em 10 de julho de 983, com menos de nove anos de um santo e feliz pontificado. O novo milênio vai encontrar no sólio pontifício Bento VIII, eleito em 18 de maio de 1012. Membro da poderosa família Túscolo, repudiou a interferência civil na eleição do papa, determinando normas canônicas para a escolha do sucessor de Pedro, infelizmente pouco obedecidas nas eleições seguintes. Apesar de um pontificado perturbado por guerras, dedicou-se a um grandioso projeto de paz universal, envolvendo o imperador e os príncipes da época. Sonhou com um concílio ecumênico, mas só pôde realizar um concílio provincial, com normas para restabelecer a disciplina do clero, a observância do celibato e a condenação da simonia. Morreu em Roma, em abril de 1024. Um sobrinho de Bento VIII tornou-se papa aos 20 anos em 1032 e tomou o nome de Bento IX. Sua eleição foi claro ato de nepotismo. Em 1044, foi deposto por uma revolta popular, mas retomou o papado em abril de 1045, sendo deposto 21 dias depois. O imperador Henrique III foi a Roma disposto a pôr ordem na Igreja romana, recolocando Bento IX no trono de S. Pedro, que governou a Igreja até julho do ano seguinte, quando foi deposto pelos legados imperiais e recluso no mosterio de Grottaferrata até a morte. Seus sucessores disseram que ele não fora “um espelho de moralidade”. Continuaremos a série dos Bentos na história do papado. (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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