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Opinião

Gramados enfezados

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| André Falcão de Melo * Mais agradáveis poderiam ser os breves passeios que por recomendação médica tenho realizado na recém-concluída urbanização da Sílvio Viana ? e pensar que por pouco seriam na Robert Kennedy (ôxe!). Não, leitor(a), sem crítica aos gramados e calçadas (têm até sido razoavelmente limpos e aguados) ou aos coqueirais da Sílvio Viana (reurbanização havia séculos aguardada). Nem vou protestar contra a crônica poluição do mar, que apesar disso majestosa e serenamente compõe nossa belíssima bacia da Pajuçara, ao menos para nosso deleite visual. O assunto é a sujeira permitida (às vezes até estimulada!) pelos passantes da Sílvio Viana. Definitivamente, não têm respeito pelo bem comum. É, é sobre cocô. Não excrementos, fezes...: esses são sinônimos tolerantes demais. Já basta me abster de citar outros mais sonoros, em atenção aos mais sensíveis. Mas cocô, faço questão! É distintivo, perdoe-me. Inaceitável, porém, o seu depósito em locais impróprios, como os gramados e calçadas da Sílvio Viana. Claro que não estou a tratar do seu, nem do meu: não invadiria assim a sua intimidade, tampouco exporia a minha. Minha insubmissão é com a presença atrevida, deseducada e ?ameaçadora? (aos nossos pés e calçados) dos produzidos pelos cãezinhos e canzarrões. Melhor: meu protesto é contra os bípedes a quem os quadrúpedes acompanham no passeio (quem será quem, hein?). E são de todas as idades: desde a(o) empregada(o) da casa onde habita o canino, passando pelo ?marombado?, com seu pit bull, até os mais idosos... Todos suspeitos. Além dos inocentes anônimos, correram o risco ? porque vieram fazer-me companhia no passeio convalescente (meu dever, pois, evitar-lhes desafortunada pisadela no dito cujo) ?meus amigos Ranulfo (amizade que é vinho de boa cepa) e Marcelo Malta (irmão camarada), minha amada namorada, Dolly (como bom varão, empreendi cuidados redobrados), meus pequenos, Andrezinho e Ananda, ainda indefesos contra as agruras da vida ? aí incluídos os cocôs de cachorro (minha adolescente, Mariana, porque em Recife, escapou desse lazer adrenalínico) ? e até minha mãe querida (cujos cuidados dispensam referência). Todos viveram essa mal-cheirosa tensão. Portanto, por favor! Você, que vestiu a carapuça, ouça as placas fincadas nos gramados da Sílvio Viana, que berram ? já roucas ? para seus ouvidos mal-educados: Não deixe o seu cão sujar a grama! E a calçada (acrescento)! E se sujar, Limpe o seu cocô! Não o seu. O do cão! Ah, sim: não pise na grama! (*) É advogado.

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