Opinião
Momo antecipado - Editorial
Hoje, sábado anterior ao ?de Zé Pereira?, é um dia que se consolida como o mais expressivo do período (pré) carnavalesco de Maceió. A bem da verdade a folia começou ontem, sexta-feira, com o desfile performático do bloco Filhinhos da Mamãe (e várias outras agremiações), e se prolonga no excepcional Pinto da Madrugada (a partir das primeiras horas da manhã), seguido dos blocos Turma da Rolinha e Pecinhas de Maceió. Há vários anos, essa agenda se repete, crescendo sempre em adesão. Hoje é um daqueles dias nos quais se reforça uma tese: a de que a animação carnavalesca da Capital alagoana está confinada ao pré-carnaval. Em torno dessa compreensão, há muitos anos, se constroem as opções momescas de Alagoas. Uma realidade inegável e que não é nova, pois, conforme analisado pelo ensaio de capa do Gazeta Saber deste mês, o esvaziamento do período carnavalesco oficial vem de longe, inspirando ? há mais de 70 anos ? o carnavalesco Major Bonifácio a propor glosa sobre esse fenômeno (?segurem esses ricaços/ eles querem fugir... quando o carnaval começa/ todos querem escapulir?). Compreender esta tendência e saber dela tirar melhor proveito é uma questão óbvia que nem sempre foi convertida em festa popular. Hoje essa obviedade está transformada, sem culpas, em festa. Mas como garantir um bom carnaval popular em Maceió no tempo devido? O sucesso do pré-carnaval não pode ser usado como um ?descarrego de responsabilidade? em relação ao abandono do carnaval propriamente dito. Do Sábado de Zé Pereira ao raiar da Quarta-feira de Cinzas, a folia precisa ser incrementada pelos poderes públicos. O tempo carnavalesco deve ser planejado, com antecedência, pela municipalidade e, mesmo que o ponto alto continue situado uma semana antes, o Reinado de Momo precisa ser restaurado em seus dias convencionais.