Opinião
O frevo alagoano
| Luiz Barroso Filho * Velhos foliões e estudiosos são unânimes em concordar que a década de 30 do século passado representou o início da fase áurea do carnaval de rua em Maceió, com a presença contagiante do frevo, proporcionando o surgimento dos primeiros blocos que durante muitos anos foram os responsáveis pelo esplendor da folia momesca na capital alagoana, a exemplo do ?Ciganinhas?, do ?Morcegos?, do ?Cavaleiro dos Montes?, do ?Cara Dura? e do popularíssimo ?Vou Botar Fora?, agremiação do bairro do Prado, que fez seu último desfile em 1958, sob a presidência do contabilista Antonio Amâncio. O bloco, que foi 17 vezes campeão dos concursos oficiais, com a orquestra comandada pelo famoso maestro Passinha, caracterizou-se pela criatividade, irreverência e animação próprias do Carnaval, como demonstra a letra do seu hino: ?Viva a suprema folia/ Tristeza que vá embora/ O que não for alegria/ Vou botar fora, vou botar fora/ A dor, a fome, a tristeza/ Todo mal que se deplora/ Da vida a torpe aspereza/ Vou botar fora, vou botar fora/ O Carnaval nos encanta/ O Carnaval está na hora/ Porque no frevo se canta/ Vou botar fora, vou botar fora/ Acerta o passo, morena/ Acerta e vamos embora/ Vamos acabar, ai sem pena/ No Botar Fora, no Botar Fora?. Composto em 1931, com letra do magistrado e poeta Olavo de Campos e melodia de Américo de Castro, esse frevo-canção que contribuiu para consolidar o frevo como principal gênero musical do carnaval de Maceió, infelizmente nunca foi gravado por inteiro em disco, havendo apenas o registro orquestral da sua primeira parte numa faixa do vinil ?Alafrevo 78?. Outra música igualmente importante na história do carnaval alagoano é o ?Sururu da Nega?, da autoria de Aristóbulo Cardoso e Pedro Nunes, lançada em 1934 e considerada o hino do carnaval de Maceió. Pode-se afirmar que os pioneiros ?Vou Botar Fora? e ?Sururu da Nega? influenciaram na formação do repertório do frevo alagoano, que já reúne obras comparáveis às melhores dos mestres do carnaval pernambucano, nas modalidades de frevo de rua, canção e de bloco. Eles encabeçam uma lista na qual figuram os clássicos ?Cidade Sorriso? (Edécio Lopes), ?Evocação de Alagoas? (Jucá Santos e Alves Damasceno), ?De bandinha? (Roberto Becker), ?Saudade que a gente sente? (Reinaldo Cavalcante e Passinha), além de outras boas composições de autores contemporâneos, que merecem ser mais divulgadas para que o frevo seja sempre a expressão musical predominante no carnaval alagoano. (*) É advogado e membro da Comissão Alagoana de Folclore.