Opinião
O insuport�vel da depress�o
| Dom Fernando Iório * Se existe uma enfermidade democrática é a depressão. Não escolhe raça, nem cor, nem mesmo idade, condição financeira ou espírito religioso. Na prática, sentir-se deprimido é não ter prazer por nada que se faz na vida. Não se sente feliz em ver uma flor, um pássaro trilando no ramo de uma árvore. Não sente prazer no aroma de um perfume, em receber um sorriso, um carinho, em alimentar-se, em receber um afetuoso elogio. Torna-se a vida insuportável. Trata-se de uma enfermidade de cunho psicológico e físico. Físico por faltar na região límbica do cérebro uma substância chamada serotonina, capaz de produzir em cada pessoa a sensação do prazer. De cunho psicológico, vez que estudos apontam na direção daquelas pessoas que são, por demais, perfeccionistas que se frustam quando se tornam incapazes de resolver todos os seus problemas ou dos que as rodeiam, de maneira plenamente satisfatória. O ritmo da vida moderna e a menopausa tornam-se agravantes para aumentar o número de depressivos na sociedade atual. Sem sentirem prazer pelo que fazem, muitos depressivos comem demais, outros tantos perdem o apetite, não faltam quantos só querem dormir, alguns se excluem da vida social, outros são excluídos. Viver triste, perder o interesse pelas atividades mais simples, não poder concentrar-se, acusar dores na cabeça, no corpo, no estômago, nos músculos e ter vontade de desaparecer da vida são sintomas de quem vive deprimido. O médico torna-se imprescindível na solução do problema, bem assim a família. É dificílimo sair desse abismo sem ajuda, muito carinho e paciência, atenção e amor dos familiares e amigos. O princípio de conservação da vida não é respeitado pelo depressivo: deseja a morte. Talvez não exatamente a morte do corpo, mas a do sofrimento, da dor interior. A fé em Deus, a esperança em suas promessas: ?Vinde a mim todos que estais estressados e eu vos aliviarei?, prometia Jesus. É pela fé que os deprimidos adquirirão forças para superar suas angústias, seus problemas depressivos. Não há felicidade maior do que saber o deprimido que existe aquela mão misericordiosa a acompanhá-lo e a levantá-lo nos momentos das quedas na estrada da vida. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.