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Nº 5730
Opinião

O Pinto, uma grande fam�lia

| Marcos Davi Melo * Pela primeira vez em seis anos seguidos de desfile do Pinto da Madrugada, eu não vi o sol nascer na avenida, onde fazemos a concentração do Bloco. Fui um diretor retardatário involuntário; fiquei até as 5 horas da manhã no baile de f

Por | Edição do dia 25/02/2006 - Matéria atualizada em 25/02/2006 às 00h00

| Marcos Davi Melo * Pela primeira vez em seis anos seguidos de desfile do Pinto da Madrugada, eu não vi o sol nascer na avenida, onde fazemos a concentração do Bloco. Fui um diretor retardatário involuntário; fiquei até as 5 horas da manhã no baile de formatura em medicina de meu filho Marcel Davi, no SESI, de onde saí para tomar um banho e o café da manhã em casa. Quis dar uma cochilada de poucos minutos e dormi até às 8 horas. Quando cheguei, já eram 9 horas, o Pinto tinha saído e uma das tarefas que nele me envolvo mais, a organização da estrutura do bloco e a sua saída com o máximo de uniformidade, este ano não deu. Mas, por outro lado, tive uma sensação nova e que acomete os outros foliões, deparei-me com o bloco já evoluindo na Pajuçara e confesso: foi a emoção de um pai que vê o filho crescer, se fortificar, ficar viçoso e saliente. Daí para diante a Pajuçara foi tomada por uma multidão calculada em 100 mil pessoas, onde as famílias participavam com 4 gerações: o avô, o pai, o filho e o neto; alegria, fantasias, muitos grupos fantasiados; confraternizações entre amigos que só se encontram uma vez ao ano, no Pinto; o longo cortejo das orquestras junto com a Pintoca e o coral caprichou no frevo e nas marchinhas. Alguns pontos críticos, entretanto, devem ser avaliados no desfile do Bloco, entre eles que a cada desfile o Bloco é muito mais para participação do que somente para observação. Daí é inevitável que o Bloco saia quando existe um mínimo de foliões para acompanhar as suas muitas orquestras. Outra questão é a uniformidade do cortejo; embora saiamos uniformes, com o desenrolar do desfile vão se acumulando milhares de foliões em frente às orquestras e à Pintoca, dificultando as suas evoluções. É uma disputa: enquanto as pessoas que esperam nas sombras das árvores e nos bares querem que o bloco chegue logo, os foliões que vêm acompanhando as orquestras as bloqueiam, para que a folia demore o máximo possível. Na multidão, somente os 4 diretores lutam para que haja equilíbrio nesta disputa. Ao final, os 100 mil foliões cantaram as nossas músicas, dançaram e confraternizaram. Novamente, sem nenhuma ocorrência de violência. Mais uma vez, todos deram a sua contribuição na luta para restaurar as nossas raízes musicais carnavalescas e as nossas tradições culturais. Agradecemos sinceramente a todos os que colaboraram e participaram desta festa que é a confraternização maior de uma grande família: o Pinto da Madrugada. (*) É médico.

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