loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Nova York ou Copenhague

Ouvir
Compartilhar

| Jorge Briseno * Poucos brasileiros se perguntam sobre o que acontece com o lixo que produzimos em nossas residências. O Brasil gera, diariamente, em torno de 160 mil toneladas de lixo urbano. A maior parte é transportada aos lixões. Em torno de 30 mil toneladas sequer são coletadas. Para complicar, a produção per capita aumenta escandalosamente. Passamos, em 25 anos, de 0,5kg/dia por habitante para 0,9kg/dia. A maior parte desse acréscimo decorre da geração de lixo seco, isto é, de materiais que poderiam ser reciclados ou reaproveitados, como papel, papelão, vidros, plásticos, etc. O Brasil está diante de uma encruzilhada ecológica. Ou seguiremos o exemplo de Nova York ou de Copenhague. Nova York, que encanta os novos ricos brasileiros, é considerada pelo jornalista e ambientalista Washington Novaes a capital mundial do lixo. Seus habitantes já produzem uma média de 3kg/dia de resíduos. Não existe mais área próxima em condições de receber resíduo. Parte do lixo de Nova York é transportada para um aterro situado no estado vizinho de Virgínia, a 500km de distância. O custo desta loucura eleva a 80 dólares o preço da tonelada de lixo produzida na cidade. Um modelo de vida insustentável. Copenhague, capital da Dinamarca, preferiu seguir um caminho oposto. É a cidade européia que tem a legislação mais avançada para evitar a produção de lixo, reusar ou reciclar materiais e, só em último caso, dispor os resíduos em aterros. Quase tudo é reciclado ou reutilizado. Apenas 5% dos resíduos são aterrados. Apesar do elevado padrão de vida, igual ou superior ao de Nova York, o morador de Copenhague produz apenas 0,8kg/dia. Este número não aumenta há anos. Um criativo sistema de retorno de embalagens é um dos caminhos utilizados para a redução de lixo. Desde a década de 60, Copenhague cuida da reciclagem de produtos e do uso retornável tanto de garrafas como de embalagens. Quando uma pessoa compra em um supermercado algum produto que tenha uma embalagem de vidro ou plástico, ela paga também pela embalagem e, ao retornar ao estabelecimento para devolvê-la, recebe um cupom que lhe dá o direito de receber seu dinheiro de volta. Alguns supermercados chegam a receber três vezes mais embalagens do que vendem. É proibida a utilização de embalagens que só possam ser utilizadas uma única vez, bem como o transporte de lixo orgânico para aterros. O produtor é responsabilizado pelo pós-consumo de seu produto e pelo retorno ao processo produtivo da embalagem. Já foram identificadas embalagens com 25 anos em uso. (*) É presidente da Casal.

Relacionadas