Opinião
Divina orla - Editorial
Seja por coincidência geográfica, ou por sorteio qualquer, ou quaisquer outros critérios, o fato é que é justíssima a escolha do litoral alagoano para fechar com chave de ouro a série especial do Fantástico sobre as praias brasileiras. Literalmente, a orla alagoana dá um banho! Repetindo a quilometragem dita nas peças publicitárias sobre este Estado, temos aqui 230 quilômetros de paraísos ? sim, porque pela diversidade desta orla, o éden das Alagoas é plural. Praias mansas, ondas bravias, arrecifes, piscinas no meio do mar, falésias, lagunas, barras, pontais, areais e cores magníficas. Envaideçam-se, alagoanos nativos e adotados: o paraíso está à vossa porta. Regozijos feitos, fitas cassetes e DVDs gravados para a posteridade, tanta beleza e tanto prestígio devem-nos fazer refletir sobre como tratamos as dádivas divinas oferecidas a este nosso Estado. O que temos feito para preservar esse patrimônio natural? E o que temos feito para que este patrimônio, ao ser preservado adequadamente, venha a multiplicar (e viabilizar) as oportunidades de geração de emprego e renda? Em Maceió, basta-nos chegar à orla (belíssima) central da cidade. Ali, mesmo quando a língua podre do Sagadinho não está visível, a poluição doméstica assume feições horrendas e nem sempre longe dos olhos, pois da Pajuçara à Cruz das Almas esgotos residenciais são criminosamente conectados à rede de águas pluviais. De Cruz das Almas em diante, uma idéia infernal apavora o futuro com a liberação dos gabaritos para construção de espigões sem quaisquer redes de saneamento. O que estamos fazendo com o paraíso que nos foi confiado? Neste domingo, à noite, o programa de maior audiência da televisão brasileira (Fantástico, da Rede Globo) levará aos lares alagoanos, via TV Gazeta, belezas ainda desconhecidas para muitos de nós. Mire-se nessas maravilhas, procure conhecê-las, revê-las ? e, acima de tudo, lute para preservá-las.