Opinião
Hist�rias da Associa��o Comercial de Macei�
| Benedito Ramos * A história da Associação Comercial de Maceió, nos últimos 140 anos, é marcada, antes de tudo, pela ética. A cada página de suas atas é uma surpresa. É uma história à parte para ser contada numa instituição que fazia licitação até para a escolha de um cartório de registro para a escritura de sua sede. E de tantas outras histórias, vale a pena contar uma que envolve três personagens monumentais: Carl Wiliam Broad, Francisco Polito e Demócrito Gracindo. O primeiro foi o idealizador da Lei dos 100 Réis para conseguir fundos para a construção do prédio. Era o diretor tesoureiro, de tão cioso por manter as contas em ordem, nega, em 31 de agosto de 1920, um salário de um conto de réis ao subsecretário quando encerrava o balanço com mais de 13 mil contos em caixa. Talvez até motivo para ter dito em 20 de agosto daquele ano: ?(...) a única explicação de minha presença entre os que dirigem a Associação no atual exercício é a idéia de trabalhar pela construção do prédio.? Morreu sem ao menos ver o assentamento da pedra fundamental. O segundo foi Francisco Polito, também diretor do Banco de Alagoas, que fez a mesa diretora da Associação ficar apavorada com o compromisso financeiro que assumiu para a construção do edifício. Disse em 14 de agosto de 1923: ?Mas, se dúvidas existe sobre a solvência desses compromissos, a minha permanência neste cargo é penhor do encargo que assumimos, aqui estou pronto a demonstrar que não fujo da responsabilidade dos atos que pratico.? Também não estava presente na inauguração do Palácio que tanto sonhou. O terceiro, destes homens obstinados foi Demócrito Gracindo. Era diretor secretário, membro da Academia Alagoana de Letras e do instituto Histórico, um dos mais fiéis amigos do presidente Homero Galvão, substituto de Polito. Já no final da construção do prédio quando da compra dos móveis, por coincidência, após algumas licitações, o presidente viajaria para São Paulo. É quando Demócrito Gracindo, em nome dos demais diretores, delega poderes a Homero Galvão para a escolha da mobília. Eis o texto de 07 de julho de 1927: ?(...) Homero Galvão é bastante criterioso e tem apurado gosto artístico para solucionar convenientemente o problema, optando pelo projeto e orçamento que melhor satisfizer às exigências da Associação Comercial e celebrar o competente contrato.? Este último também morreu, em 5 de setembro de 1927, aos 43 anos, sem ver a inauguração do prédio no ano seguinte. (*) É escritor ([email protected]).