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Deus � amor

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| Dom Fernando Iório * Deus é Amor. Assim tem início a Primeira Encíclica de Bento XVI - Deus Caritas est, expressão extraída da l Jo.4,16. É o amor que oferece à Igreja um novo horizonte de vida e um rumo decisivo na caminhada. Em um mundo em que, ao nome de Deus, se justifica repetidas vezes a vingança, ou se associam o ódio, a violência e mesmo o terrorismo, a mensagem de amor do romano pontífice é de grande atualidade e significado, por demais, concreto. Na véspera do Natal de 2005, pela primeira vez, divulgou-se oficialmente a publicação da 1ª encíclica de Bento XVI, já elaborada, mas por duas razões adiada: uma - pela dificuldade que representava a tradução em várias línguas de um texto de elevado conteúdo teológico; outra - pelas eventuais correções que teria o papa feito no texto, após o parecer expresso pelos especialistas da Congregação para a Doutrina da Fé. Nesse ínterim, confirmava a Santa Sé que a encíclica intitulada Deus Caritas est (Deus é Amor) teria sido escrita pelo papa no verão passado, em Castel Gandolfo e no Vale d´Aosta, norte da Itália, onde Bento XVI passara suas férias. Há de se ver, por ser o papa um teólogo de elevada projeção, a publicação de sua primeira encíclica fosse envolvida por uma aura de imensa expectativa. Na verdade, já em janeiro, antecipando a saída do documento pontifício, filósofos e teólogos se reuniam na Pontifícia Universidade Lateranense para debater o tema - O amor entre filósofos e teólogos. Vários temas sobre o amor tratados pelo papa serviram de reflexão nesse encontro de especialistas. O documento, na sua primeira parte, traz profunda reflexão doutrinal entre o eros e o ágape, ou seja, entre o amor humano e o divino, ou entre o amor que desce e aquele que sobe, com base na escada Jacó (Gen. 28,12), ou mesmo entre o amor possessivo e o oblativo. Na segunda parte, discorre Bento XVI sobre as implicações sociais do amor e o nexo entre amor e justiça. Ao fim das contas, assevera o papa: quis falar, de maneira especulativa, sobre o amor gratuito que Deus oferece à humanidade e no caráter concreto do amor ao próximo. O documento, de profundidade teológica, está sempre eivado de um estilo agradável, como é próprio de Bento XVI, e de uma poesia sutil. Enfim, o teólogo não deixa de ser um poeta. Assim Tomaz de Aquino, São João da Cruz, Teresa de Jesus... (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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