Opinião
Celas podres - Editorial
Superlotadas, as celas em Alagoas são provas cabais de um sistema falido. Como boa parte dos graves problemas que flagelam nosso estado, este é mais um com características nacionais (e de outros tantos países pelo mundo). Nesse e noutros casos semelhantes, são falsas todas as respostas nas quais se desculpam as responsabilidades locais ?porquanto tais problemas, em sendo de todo o País, só se resolvem nacionalmente, etc.? Solução definitiva, sim, será aquela que responder ao fulcro da questão ? e, na teoria e na prática, terá de ser encontrada primeiramente em alguma unidade da federação. Isso coloca para Alagoas e todos os demais estados responsabilidades de tomarem a iniciativa e buscarem novas equações para resolver o (enorme) problema. As reportagens publicadas pela Gazeta dão conta de horrores, de cenas trágicas e ridículas. O apodrecimento desse sistema é a causa dos desentendimentos entre as autoridades responsáveis. Soltar bandidos não é solução, assim como amontoá-los só aprofunda o problema da criminalidade. Há mais de meio século, o cenário prisional alagoano foi diligentemente estudado e experiências pioneiras, como a Colônia Agrícola Santa Fé, viraram exemplo nacional. Nos anos 50, esse era um desafio de caráter estratégico geral e não apenas um dilema restrito a policiais, juízes e promotores. Naquele tempo, soluções globais e inovadoras estiveram a cargo de equipes multidisciplinares sob o comando de estrategistas como Ib Gatto Falcão. Depois, os caminhos então divisados foram paulatinamente abandonados, a ponto do que era uma colônia penal modelo ter simplesmente desaparecido do mapa. Nos dias de hoje, se não for recobrada a visão larga dos caminhos interdisciplinares e criativos, continuaremos neste beco sem saída, aprisionados a um debate tão acalorado quanto estéril.