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Nº 5730
Opinião

Ressaca e dor de cabe�a

Mário jucá * Passado o carnaval, é momento de volta à rotina e de muitas frustrações. Namoros e relacionamentos que se foram na quarta-feira, promessas que jamais serão cumpridas, um clima de desconforto e desencontros, movidos por uma quantidade excess

Por | Edição do dia 02/03/2006 - Matéria atualizada em 02/03/2006 às 00h00

Mário jucá * Passado o carnaval, é momento de volta à rotina e de muitas frustrações. Namoros e relacionamentos que se foram na quarta-feira, promessas que jamais serão cumpridas, um clima de desconforto e desencontros, movidos por uma quantidade excessiva de álcool e crença de que o outro jamais lembraria após a ressaca e da dor de cabeça do dia seguinte. Políticos inescrupulosos usaram o reinado de momo para se auto-afirmar, mas sabendo que suas pernas são curtas para as passadas e algumas vezes para a carreira prometida. Ora, a população se envolve com esse tipo de gente porque quer, sabe que são mentirosos, desleais e fantasiosos. Então a frustração e a fantasia de carnaval é a de Pierot e Colombina, que não se encontraram até a quarta-feira. Ressaca muito grande é aquela que o indivíduo acha que todos estavam errados e só ele é o correto, que pena: um doente. Não é possível que essas pessoas consigam enganar-se, uma façanha de um verdadeiro psicopata. Podemos enganar os outros, mas sabemos quem somos, o que fazemos e onde queremos chegar, e ainda mais, que não temos asas para os vôos que propagamos e projetamos. Nesse carnaval, vi coisas fantásticas, como produto de mentes insanas; propagadas de paraísos onde o inferno era pintinho (que por sinal poderia virar um bloco); passeios turísticos com recursos públicos, sem o menor escrúpulo, coisas de fim de festa. Mas tudo isto é extremamente preocupante, quando lemos os índices deste Estado e sabemos que vivemos no local de pior qualidade de vida do País, onde as fantasias das belas praias e de um povo acolhedor mascaram impiedosamente a miséria e a bandalheira, que não pede licença a canalhice que se assiste dos desmandos nacionais, tendo como protagonista um despreparado, analfabeto funcional, possuidor de um caráter duvidoso, que acoberta todas as formas de crise e de condutas desonestas, que fazem tremer qualquer máfia internacional. Uma contracultura deve ser estimulada. Não podemos assumir essa forma disfarçada e cínica de relação, há de se encontrar alguém com forca, honestidade e credibilidade, porque o povo está descrente, sem grito, afônico, diante da incapacidade de enfrentar as tempestades de incoerências e desmandos, que se instalaram em alagoas, de tal forma que amanhã todos já devem ter esquecido, pois nada é apurado, nem punido, eis o motivo de seus perversos índices sociais e econômicos. Pensei sinceramente que iria demorar mais um pouco para esta realidade que está registrada aparecer. Não poderia em uma década um estado ficar pior. Nada se pode fazer senão refletir. (*) É médico, escritor e professor da Ufal.

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