Opinião
Cr�tica poderosa - Editorial
Segundo a mídia, o Palácio do Planalto não teria gostado nada das críticas formuladas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Se assim for, é uma prova de imaturidade das autoridades, ou uma tentativa de atrelamento da entidade representativa dos bispos deste País. As críticas da CNBB deveriam ser ouvidas pelos governantes como conselhos do confessor. Irritar-se por quê? Afinal, a crítica diz respeito à questão social, à proeminência das diretrizes monetaristas na economia. Essa tem sido a linha de conduta das críticas políticas da Igreja Católica no Brasil há décadas. E, de fato, como negar a prevalência das obrigações para com os grandes credores pecuniários (nacionais e internacionais) em relação aos imensos credores sociais (nosso povo brasileiro, com todas as suas carências)? A atenção às opiniões da CNBB não quer dizer que o dito pelo colegiado seja expressão da palavra de Deus, irretocável e infalível. Dentre os humanos, apenas ao santo padre é reconhecido, pelos demais católicos, o dom da infalibilidade. Às colocações políticas dos bispos brasileiros podem ensejar correções, até discordâncias, mas irritação não é uma reação que possa ser considerada adequada a quem sempre teve o apoio da maioria dos religiosos representados por esta entidade. Lula e os seus muito devem a todos os que fazem a Igreja Católica Apostólica Romana, porto seguríssimo para a sua militância nos momentos difíceis da ausência de liberdade política, nos tempos da gênese do Partido dos Trabalhadores. É justo o governo federal cobrar silêncio dos bispos em relação a suas discordâncias com os rumos da política econômica? Não são esses rumos os mesmos adotados pelo governo passado, quando o PSDB definiu e implementou o modelo econômico hoje seguido? Humildade e reflexão, portanto, deveriam ocupar o lugar da irritação do governo.