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Vulc�o � pouco, foi um inferno

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| Anilda Leão * Fiz questão de adquirir o livro de Oséas Cardoso, intitulado Um Vulcão em Alagoas, onde o nosso eterno deputado, espécie de embaixador de Alagoas na capital federal, relata os dramáticos fatos vividos por ele na política alagoana nos anos 40. Tendo vivenciado essa época nos meus vinte e poucos anos, e já sendo atraída pela política, pelo fato, principalmente, de meu pai ser então deputado estadual, estava sempre me inteirando de tudo o que se referia aos movimentos políticos de Alagoas e do Brasil. Silvestre Péricles de Góes Monteiro era o governador nessa época (1947-1951). De aspecto nada simpático, fisicamente marcado por sobrancelhas grossas e eriçadas, só mesmo os seus apaniguados, aqueles beneficiados por cargos ou outras regalias, é que o podiam achar simpático, bondoso ou detentor de outras virtudes. Esse homem, no entanto, foi um verdadeiro verdugo contra os que lhe faziam oposição. Um ditador, poderíamos dizer, uma vez que não tolerava ser contrariado por quem quer que fosse, tendo inclusive sido pivô de um tiroteio em que saiu ferido seu próprio irmão Edgar, que lhe fazia oposição, e onde morreu o deputado Rodolfo Lins. Isso antes de ser governador. Eleito, fez um governo autoritário, antidemocrático, tornou-se um verdadeiro Nero, a perseguir os que lhe contrariavam os desígnios. Seus asseclas, chamados de ?gafanhotos?, andavam ostensivamente armados, ameaçando ou mesmo eliminando fisicamente os adversários. Foi o que aconteceu com o pai do deputado Oséas Cardoso, eliminado covardemente dentro do seu estabelecimento comercial, quando saíram feridas ainda suas filhas. Na bancada oposicionista, formada principalmente pela UDN, viam-se homens da estirpe de um Mello Mota, Aurélio Viana, Quintela Cavalcante, Carlos Gomes de Barros e Joaquim Leão, meu pai. Além de outros. Todos dignos e corajosos, não se curvaram ao tacão do governador atrabiliário, trabalhando de maneira patriótica por melhores dias para o nosso estado. Eram chamados, por isso, de udeno-comunistas, sendo perseguidos de todas as formas. Meu pai, então deputado, chegou a ser detido pessoalmente pelo então secretário de segurança, sendo levado à presença do governador, que pretendeu desmoralizá-lo, exigindo que repetisse na sua presença o que dizia a seu respeito nos pronunciamentos que fazia na Assembléia Legislativa. Para dar uma idéia do que foi esse governo, basta lembrar, entre outras arbitrariedades dignas de uma mente doentia, o fato de ter obrigado os presos da cadeia pública a atirar fezes nas residências dos desembargadores do Tribunal de Justiça, que propugnavam pelo seu impedimento junto ao governo federal. (*) É escritora e poeta.

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