loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

As meninas

Ouvir
Compartilhar

| Marcos Davi Melo * Dirigimos-nos ao Recife no carnaval não só pelo prazer de ver a cultura nordestina supervalorizada; mas seguimos antes para cumprir um compromisso com o oficial de Justiça: a avaliação de um pequeno apartamento no inventário de meu sogro Ivan. Enquanto nos dirigíamos ao imóvel, conversamos com o funcionário público, que fez severas críticas ao Poder Judiciário -- nepotismo e outras aberrações. Mas tivemos imenso alívio e indescritível satisfação quando lhe perguntei se conhecia o juiz Alfredo Jambo, um alagoano, nosso amigo de infância, respondeu-nos: ?O Dr. Jambo é um homem íntegro, humano e sabe distribuir Justiça, se a escolha fosse só por mérito ele já seria desembargador!?. No apartamento, há muito fechado, foi como voltar no tempo: nas paredes, entre os quadros empoeirados, as reproduções adquiridas no Louvre por meu sogro e os seus preferidos: um Van Gogh e as duas meninas loiras de Renoir; que no fundo, para ele, retratavam as suas paixões primais, as duas filhas, Ivanelza e Evanilza. Em cima de um móvel, um retrato antigo, de uma menina meiga, sua única neta, nossa filha Milena, hoje com 20 anos, que trouxemos conosco. Depois, foi o extraordinário carnaval de Recife e Olinda. Começando com O Galo da Madrugada, cada vez melhor: reduziram a quantidade dos trios elétricos, diminuíram os gigantescos carros parasitas que os acompanhavam e o axé que vinha crescendo foi abolido. No Recife Antigo uma festa para participação e também para contemplação: orquestras de frevo, maracatus e blocos líricos, para quem quer acompanhar, e caboclinhos e shows variados, para quem quer observar. Já Olinda voltou ao clima dos velhos e bons tempos, os blocos predominam e são para quem quer realmente brincar. Agoniado, Eduardo Lira foi de carro pelos Bultrins, caiu em um bueiro e o carro foi levantado e salvo pelos solidários músicos de uma orquestra de frevo itinerante, sem que parassem de tocar Vassourinhas. Caetano Veloso passou o carnaval lá, cruzamos com ele na Bom Jesus, mas a personagem deste carnaval foi outro baiano, o Carlinhos Brown, que de um trio elétrico denunciou a violência e a segregação no carnaval baiano: na rua privatizada, dentro da corda os privilegiados que podem pagar os caríssimos abadás, de fora, segregado, o povo. O ministro Gilberto Gil, evidentemente, não gostou. O Gil poderia seguir o exemplo do Caetano e aprender como se pode fazer uma festa democrática, onde pelo menos uma vez por ano todos compartilham o mesmo espaço. (*) É médico.

Relacionadas