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Opinião

O desafio pol�tico da administra��o

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| Valter Oliveira Silva * Um dos mais conhecidos exemplos de gestão pública desprovida de visão de longo prazo e distante da realidade da população resume-se à célebre frase atribuída à rainha Maria Antonieta que, indagada sobre o fato de o povo francês não ter pão às vésperas da Revolução Francesa, respondeu: ?se o povo não tem pão, que coma brioches?. Mais do que descaso, a afirmação revela a simplicidade, a falta de preparo para a administração pública e o distanciamento com que a nobreza tratava a população. Essa mesma falta de visão está presente até hoje em alguns segmentos da administração pública. É muito comum a afirmação de que, para aumentar a eficiência e a modernização da administração pública, é necessário apenas cortar gastos. O fechamento das torneiras é apontado como a tábua de salvação e única alternativa para resolução de todos os problemas, quando sabemos que a questão é muito mais complexa. Nos últimos anos, sentimos um avanço muito grande no modo de governar o País, em todas as esferas administrativas. A consolidação da democracia tornou a população mais informada e muito mais exigente no que diz respeito à eficiência e modernização da administração. O corte de gastos é apenas um dos pontos que devem ser levados em consideração pelo agente público. Mais do que cortar, é preciso usar o dinheiro com responsabilidade, criatividade e tendo como meta a excelência na prestação dos serviços à população, em todas as áreas da administração. A população está mais consciente dos seus direitos, enquanto cidadãos, e os governantes estão cada vez mais bem preparados, o que é muito bom. Os dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 2004, são animadores. Houve acréscimo de um milhão de estudantes nas escolas de todo o País entre 2002 e 2004. A taxa de analfabetismo declinou e o número de residências com esgoto sanitário e luz elétrica aumentou. Esses números provam que houve, sim, avanço na gestão pública. Independentemente de partidos ou grupos políticos, a obrigação do governo é procurar atender a população nos mesmos moldes da gestão privada: com eficiência, responsabilidade, ética e muita criatividade. O governo não é uma empresa, mas possui as mesmas obrigações no tratamento com o seu cliente, que é a população. Política e administração pública sempre estarão caminhando juntas, mas a administração não pode e não deve servir de reboque para os interesses políticos dos governantes. (*) É presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado de Administração.

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