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Nº 5731
Opinião

L�quido golpe - EDITORIAL

Levado ao ar anteontem, pela TV Gazeta, o programa Globo Rural ministrou uma aula simples e irretocável sobre a realidade (lamentável) do Rio São Francisco. O Velho Chico foi mostrado em sua débil saúde e sua fantástica história de longa e persistente seq

Por | Edição do dia 07/03/2006 - Matéria atualizada em 07/03/2006 às 00h00

Levado ao ar anteontem, pela TV Gazeta, o programa Globo Rural ministrou uma aula simples e irretocável sobre a realidade (lamentável) do Rio São Francisco. O Velho Chico foi mostrado em sua débil saúde e sua fantástica história de longa e persistente seqüência de agressões ao meio ambiente. Com impressionante rapidez, a degradação avançou, na segunda metade do século 20, legando a esta centúria a suprema iniqüidade do golpe da transposição. Durante a reportagem, um dos entrevistados resumiu bem a situação, repetindo a irrespondível parábola de que o rio é como um paciente numa UTI, necessitando de transfusão de sangue para sobreviver e, ao invés de recebê-la, lhe é cobrada a posição de doador. Na verdade, os vampiros que estão mirando a jugular do Velho Chico estão desejando menos seu sangue e mais o que podem auferir no processo de sucção. Não se esqueçam dos nordestinos que, nos idos dos anos 70, apostaram suas economias e suas terras noutro faraônico projeto, o “Pro-Várzeas”. Hoje, três décadas depois, só se lembram desse malfadado projeto aqueles que nele se envolveram e nele perderam tudo. A propaganda oficial, à época dessa “redentora idéia”, era igualmente messiânica e garantia que a salvação brotaria das várzeas modificadas pela engenhosidade governamental (o discurso daqueles tempos militarizados parece ter revivido na fala de autoridades contemporâneas, como o ministro da Integração Social, que chega a acusar de “picaretas” quem discorda da transposição). E não são poucos os riscos desse golpe ser aplicado, apesar das flagrantes manipulações e agressões à ciência, afinal a previsão orçamentária inicial prevê transpor R$ 4,5 bilhões dos cofres públicos para os sempre secos bolsos dos partícipes de empreitadas como essa. Pobre Velho Chico... Conseguirá salvar-se dessa arapuca?

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