Opinião
Como responder? - EDITORIAL
Contra fatos não há argumentos, assegura a filosofia popular. A crise na segurança pública no Brasil está reafirmada em sua degradante magnitude por meio da incursão de tropas do Exército às favelas no Rio de Janeiro. Certos estão os militares, pois têm de dar uma resposta à afronta sofrida. É terrível, para toda sociedade, se tomar conhecimento da invasão de um Quartel, da subjugação dos militares ali presentes e do roubo das armas da corporação; e como se isso fosse pouco, os bandidos ainda ousaram bater nos rendidos. Com razão, tropas foram deslocadas para responder à altura ? e seu comando deve compreender e saber ouvir as divergências de opinião sobre a forma pela qual essa operação estaria sendo levada adiante. Como, por exemplo: parece simplório o objetivo anunciado ser ?recuperação de 10 fuzis e uma pistola?, pois assim quantificado sugere-se um acanhamento de objetivos e uma resposta pouco convincente, como se um time que levou 1x0 num frango se contentasse em alcançar o empate. Por que não uma (bem planejada) incursão de desarmamento, cassando aos marginais algo como uma centena das sofisticadas armas usadas pelo tráfico? Por que não uma ação conjunta com as forças policiais no sentido de cerco e imobilização a áreas nevrálgicas para o crime organizado? Colocar tropas nas ruas nunca foi coisa simples, principalmente quando se tem de subir morros ou descer em grotas, locais onde é altíssima a densidade populacional e impera a total ausência do Estado. Responder ao crime organizado é uma prioridade, uma urgência cidadã. As forças armadas não poderiam quedar-se contemplativas face à agressão, nem muito menos se contentar em registrar queixa na delegacia do bairro. Responder é preciso, mas planejar a resposta é indispensável, sob pena do problema ser ainda mais aguçado, ao invés de equacionado.