loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A vida e a arte

Ouvir
Compartilhar

| Eduardo Bomfim * A vida imita a arte ou a arte imita a vida? Penso que a segunda resposta é a verdadeira. Mas, se o ofício de interpretação e criação de uma obra, significasse tão somente uma cópia desta nossa passagem terrena, tenho a impressão que ela seria um plágio idiota. E desnecessária, porque uma repetição aborrecida dos nossos sonhos, alegrias, tristezas, das tragédias, conquistas da humanidade e evidentemente uma mancha do cotidiano. A verdade é que o engenho artístico significa a interpretação elevada do turbilhão que é essa complexa cadeia das relações humanas e sociais. Ou a interação entre as duas. Por mais abstrato que venha a ser um quadro, ele jamais surgirá do nada, desconectado das experiências vividas por um indivíduo. É bem verdade que se mede a produção cultural em geral, pela sua qualidade. E a distinção nesses casos, dá-se pela maneira como o autor retrata a realidade individual, coletiva, histórica, em certo período ou acontecimento. Esses pensamentos assaltaram a minha mente, ao assistir, mais uma vez, ao formidável filme O poderoso chefão. Como o personagem interpretado por Al Pacino, torna-se o chefe da máfia nos EUA. Exatamente ele que buscou um outro caminho distinto da sua família e das outras que compunham a organização. Dizem que a origem do nome máfia vem de ?ma fia?, ou minha filha. Quando as donzelas de cada camponês na velha Sicília, Calábria e adjacências, eram defloradas na noite de núpcias, pelo latifundiário da região. Versão que ouvi sem comprovação. Criada a organização, por proteção, vindita, prosperou, criou códigos de honra e depois degenerou para o crime. O livro de Puzzo, inspiração ao filme, é uma seqüência de poder, honra, lealdade, crimes bárbaros, vinganças. Por detrás do enredo, há uma aula de ciência política. Nos métodos, pragmatismo, naquilo que tem de ser feito porque simplesmente trata-se do único caminho possível. Como na política vulgar, em seus jogos de confrontos e depuração. A essência é o poder, sem projetos, programas etc. A ópera da vida na maioria dos casos. Arte de qualidade. O episódio em que Al Pacino, vendo a filha morta por um tiro, que lhe deveria atingir, com as mãos na cabeça como se fosse explodir, em um longo grito sem som até o berro pavoroso de dor, é uma das grandes cenas de todos os tempos. (*) É advogado e secretário estadual de Cultura.

Relacionadas