Opinião
Sortes simples em Macei�
| André Falcão de Melo * Tive sorte, muita sorte: pizza na Sorriso; primário no Imaculada, com Zé Carlos e Xisto; lá, campeões com um gol de pênalti que fiz, o que me rendeu ser erguido nos braços (suprema emoção!): o gol era um vão de 2m (de altura) x 70cm, que dava acesso ao corredor dos banheiros. No Marista, uma medalha: melhor aluno (cursava a 7ª série e não sabia da aferição, mas, embora surpreso e tímido, fiquei muito contente); futebol, no Águia Negra. Tá, no ?Aguinha?, da pivetada. E daí? Ops! Gazeei umas aulas e me foi ?solicitada? a saída de sala em outras tantas. Poucas. Tive sorte, muita sorte: comi fruta tirada do pé (alheio); fomos (Ranulfo já incluído) lanchar na novíssima lanchonete do Bompreço da Pajuçara e na Lobrás, fomos também às matinês do São Luiz e, à noite, ao Plaza (filmes impróprios). Domingo, Sete Coqueiros (ponto de encontro), comer zip-zip no treiler (assim, aportuguesado mesmo) de mesmo nome, do Galego e passeburger, no Passaporte Gaúcho. Nos ?assaltos? do Tonho Setton e do Ricardo Carnaúba - os melhores, em suas respectivas épocas - dançávamos muito Hotel Califórnia, do Rod Stewart, as trilhas dos filmes do John Travolta e da novela Dancing Days... Tive sorte, muita sorte: Praia do Ipaneminha, boates Oitão (quase de fralda), Stallus e Middô, o Fornace, bailes de carnaval da Fênix... Saímos até na Jangadeiros Alagoanos! Ônibus, só sem pagar, descendo pela traseira (a borboleta era atrás). Acampei com o Zé e o Purê - seu Camucé não deixava o Camucé ir - em Paripueira (festa de St° Amaro). A Danúbio: festa de salgados, doces e paqueras nas tardes de férias. Às vezes, uma ida à Shups, matar o calor. Os Festivais de Cinema de Penedo (chinfra!), com o Kleyner, o Rio, com o Purê - quando fugimos de um perseguidor imaginário, na deserta estação ferroviária da Zona Norte - e a Faz. Santa Fé, do Prado. Tive sorte, muita sorte: identifiquei-me, desde cedo, com ideais ditos ?de esquerda?; gostava de ouvir os discursos avermelhados de José Costa, Eduardo Bomfim e Moura Rocha; em passeata estudantil de protesto, no Recife (cursava Engenharia na Federal de lá), meu rosto quase ampara um soco (perdido) de um policial do ?Choque?: privilégio, o risco sofrido. Por essas sortes que tive, vivi esses momentos únicos, no final da infância, início da adolescência, numa outra Maceió. Essencialmente simples, tornaram-se inesquecíveis na sua simplicidade. Tive sorte, muita sorte, tê-los vivido. Graças a Deus! (*) É Advogado.