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Nº 5731
Opinião

A falta do falo

| Ronald Mendonça * Em nome do Dia Internacional da Mulher, nesse 08 de março, a emissora de TV Globo News exibiu bloco de entrevistas com personagens das ciências, das letras e das artes. Embora haja inegáveis avanços em relação à posição da mulher na s

Por | Edição do dia 11/03/2006 - Matéria atualizada em 11/03/2006 às 00h00

| Ronald Mendonça * Em nome do Dia Internacional da Mulher, nesse 08 de março, a emissora de TV Globo News exibiu bloco de entrevistas com personagens das ciências, das letras e das artes. Embora haja inegáveis avanços em relação à posição da mulher na sociedade, não chega a ser novidade que sob o manto do machismo há ainda muita coisa a ser expelida. Não há dúvida de que o formato do mundo conspira contra a mulher. A força física, a maior agressividade, a cultura, qualquer que seja o argumento, o fato é que o homem domina os melhores postos de trabalho, além de proporcionalmente ganhar mais pela mesma função. Em muitos países, a presença da mulher em situação de comando sequer é aventada. Num mundo sabidamente mais selvagem, a específica e recalcitrante agressão física a mulher é um desafio à civilidade. É, pois, compreensível certa retórica repetitiva. Com efeito, aqui e acolá se percebe um discurso feminista algo antiquado, de confronto, que felizmente vem sendo superado por uma visão mais abrangente, que defende os direitos da mulher como direitos de todo ser humano. A poetisa Adélia Prado, uma das principais entrevistadas do programa acima referido, é uma dessas figuras que descartam o confronto como forma de luta em favor da valorização da mulher. Com efeito, na contramão do exacerbado movimento feminista, que marcou os primeiros momentos dessa luta, Adélia, ainda nos anos 70 do século passado, evitava radicalizar posições. Envolvida no contexto político do País, em lúcida entrevista gravada em 2001, a poetisa mineira denunciava os desmantelos do parlamento, já na época, responsabilizando a ausência do “falo” (do limite), em última análise, da moral e da ética. Os comentários de Adélia têm tudo a ver com o momento atual. No recente 08 de março, os honrados deputados decidiram pela não cassação de dois nobres colegas, Roberto Brant e Professor Luizinho, acusados de beneficiários do esquema de corrupção montado pelo PT nacional. O que têm chegado à população são rumores de imoral “acordão”, entre oposição e governistas, contrariando a orientação da Comissão de Ética. Embora se saiba que não existem virgens nesse meio, esperava-se um tratamento mais idôneo. Com certeza, a não-cassação dos deputados desmoraliza a Câmara como um todo, abrindo uma brecha na agenda da leniência. Dificilmente, outros acusados, tipo João Paulo et caterva, terão os mandatos cassados. Que falta um falo faz! (*) É médico e professor da Ufal.

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