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Nasci de novo

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| Marcos Davi Melo * Edna Maria Lemos é uma pernambucana de Caruaru. Há 4 anos, aos 43 anos foi acometida por um câncer de mama. Um pouco de sua saga está publicada no pequeno jornal Expresso Saúde que circula na Santa Casa de Misericórdia de Maceió e que aqui reproduzo resumidamente, principalmente para alertar a comunidade e os nossos parlamentares para uma outra ameaça ainda maior que o câncer. Sua descrição: ?O diagnóstico de câncer de mama foi em 2002. Eu tinha 43 anos. O tumor estava na mama direita. A partir dali comecei minha maratona no combate à doença. Foram oito meses de radioterapia e quimioterapia, depois da cirurgia que tirou um quadrante da mama?. Todo o tratamento foi feito pelo SUS. Uma parte, a quimioterapia, em Caruaru, onde reside; a radioterapia preferiu fazer em Maceió, onde existem melhores equipamentos que no Recife. Ela continua: ?Toda vez que volto aos lugares de tratamento, emociono-me. Hoje estou boa, mas muitas vezes vim aqui fragilizada. Meu cabelo e todo o pêlo do corpo caiu. Fiquei careca. Olhar no espelho era uma tortura, perdi muito peso. Eu vi várias companheiras de tratamento morrerem. Mas optei pela vida. Tomei consciência de que o corpo, a matéria, não valia nada diante da grandeza do espírito. Enfrentei as adversidades com muita fé e otimismo e venci.? O depoimento completo de Edna está em um livro que escreveu e me presenteou com uma generosa dedicatória, intitulado: Nasci de novo. Edna está de alta, permanece fazendo o seu ?folow-up?, e, mais: formou-se em administração de empresas, fundou uma ONG que ajuda cancerosos em Caruaru e, hoje, dá palestras sobre prevenção e enfrentamento da doença onde quer que seja convidada. Edna é apenas uma entre milhares de pacientes do SUS que foram acometidas por câncer ou outras doenças crônico-degenerativas (hoje, a principal causa de mortes por doenças no País) e fizeram os seus tratamentos de forma digna e criteriosa. Dentro das condições vis que o SUS remunera, isso só é possível graças ao esforço sobre-humano de médicos e hospitais, tal esforço não tem sido reconhecido pelo governo, que agora ameaça romper um acordo feito com a Frente Parlamentar de Saúde, que previa um reajuste dos procedimentos médicos e hospitalares que estão há mais de 10 anos sem nenhum reajuste. Falta pouco para a situação se inviabilizar. Vamos acompanhar de perto como se posicionam os nossos parlamentares federais nessa crítica questão. (*) É médico.

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