Opinião
Disciplina urbana - Editorial
Nunca foi fácil equacionar o problema dos camelôs, e com o passar do tempo, os conflitos só tem aumentado e as soluções se distanciado da realidade. Em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, os confrontos cada dia assumem feições de batalhas urbanas. Maceió ainda não desceu a esse ponto, mas cada tentativa de remover camelôs tem-se convertido em tumulto, cada vez envolvendo mais feirantes que a anterior. E como resolver o problema do camelô, seja em Maceió ou São Paulo. Em primeiro lugar urge eliminar o termo ?ambulante?, pois esses feirantes são exatamente o contrário disso e abominam a mobilidade, lutando com unhas e dentes por pontos fixos. Brigam com a polícia e engalfinham-se entre si em torno da mesma demanda: o ponto fixo. O universo camelô tem criado suas regras internas, e uma das mais valiosas é o domínio e repartição das áreas (que oficialmente são públicas) de comercialização e nesse mundo vicejam empreendimentos de médio porte e muitos, há muito, não são mais do que assalariados (sem carteira assinada) de verdadeiras empresas especializadas nesse mister. Para todos, camelôs autênticos e funcionários da ?camelotagem empresarial?, é essencial a permanência da aparente anarquia na qual se estabelece detalhada organização e rigorosa hierarquização dessa atividade, na qual o elemento primordial para o sucesso é a distância segura da fera tributária. Essa atividade não é desorganizada, o que ela abomina é a interferência organizativa do aparelho de Estado. Para a municipalidade, no entanto, é essencial não permitir a tomada do poder por quaisquer formas de atividade comercial. Seja um simples barraqueiro, seja um megaempreendedor, a prefeitura não pode abrir mão do controle das ruas. Apesar dos protestos, a municipalidade não tem o direito de coonestar com a privatização dos logradouros públicos.