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A conviv�ncia com os adolescentes

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| José Medeiros * Discutir se os adolescentes de hoje são mais inteligentes que os pais que já estão na fase de 40 anos ou mais, é desnecessário. As crianças e os adolescentes atuais nasceram e cresceram sob o signo e o bombardeio de muita informação, horas de computador e de televisão, videogames e jogos de estratégia e conhecimento. Tudo isso incita respostas dos neurônios cerebrais bem maiores que aqueles que tivemos há quatro décadas. Há casos em que criancinhas de um ano de idade já estão de olhos grudados nas figurinhas dos programas televisivos infantis; a televisão é a ?babá-eletrônica? que ajuda no descanso dos que cuidam de crianças. Meninos e meninas tornam-se adolescentes informatizados e globalizados. Suas reações, com raras exceções, são bem diferentes das que tiveram seus pais nas respectivas e correspondentes idades. Por isso, custa tanto tentar definir a adolescência atual. Às vezes, tudo decorre na fluência natural das transformações hormonais, físicas e psíquicas. Mas, em geral, convive-se com um período realmente turbulento, caracterizado por confusão de sentimentos, conflitos e dificuldades de relacionamento. Ouvi do professor Gabriel Chalita: ?Pais e educadores, constantemente, perguntam-se como agir diante da agressividade, intolerância, rebeldia, do preconceito e da sexualidade precoce das novas gerações?. Tenho conversado com psicólogos e educadores sobre esse assunto. Como proceder diante de uma garotona de 13 anos que chora muito. A mãe tenta consolar, insiste, pergunta o motivo de tanto choro e ela lhe explica de maneira simplória: estou com vontade de chorar. Ou diante dos que se trancam nos quartos, por birra, preferindo seu mundo de bate-papo virtual ao convívio com os familiares. Num outro exemplo, há os que preferem o confronto agressivo e não conseguem dominar o permanente mau humor. E as más companhias, drogas e violências... Será que somos pais e avós preparados para conviver com essas mudanças? Simples amadores, diante de tarefas educativas complexas que ultrapassam nossa percepção e paciência? Ou nos falta tempo para dar assistência aos adolescentes? Nem sempre o amor, o diálogo, a renúncia, a definição de limites, resolvem as situações. Numa reunião do Rotary Maceió Centro fiz algumas considerações sobre esse assunto. Sugeri ao Clube - que tem em seu quadro social psicólogos, médicos, educadores, membros da magistratura, entre outras pessoas - que promova um simpósio para um amplo debate sobre esse tema, que faz parte do cotidiano das famílias. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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