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Nº 5732
Opinião

A guerra nas favelas do Rio

| Lysette Lyra * Vivemos hoje, no Brasil, cercados de uma violência inquietante. Vários fatores corroboram para esse estado que domina nosso bem-estar e nos enche de temores. Sim, a pobreza, o desemprego, a impunidade, a irresponsabilidade dos governos s

Por | Edição do dia 15/03/2006 - Matéria atualizada em 15/03/2006 às 00h00

| Lysette Lyra * Vivemos hoje, no Brasil, cercados de uma violência inquietante. Vários fatores corroboram para esse estado que domina nosso bem-estar e nos enche de temores. Sim, a pobreza, o desemprego, a impunidade, a irresponsabilidade dos governos são culpados por esse estado de coisas, mas a maior força para a constituição do crime organizado vem dos traficantes de drogas, cuja principal arma é a corrupção. Recheados do dinheiro que a erva produz, eles se enchem de poder e compram todos aqueles que se interpõem entre seus negócios, quando não os matam. Já não respeitam nem mesmo os órgãos militares, chegando à ousadia de roubar dos quartéis as armas! Com a fraqueza inexplicável de nossa justiça, o campo fica livre para suas ações. Até Alagoas, que já foi um lugar pacato, tem sido vítima desses desagradáveis intrusos, às vezes importados, que aparecem para tirar o sossego de nosso dia-a-dia. Finalmente o Comando Militar do Leste, ferido nos seus brios, sendo alvo do roubo de armas, resolveu tomar uma atitude, elogiável, contra tantos desmandos, e invadiu, com forte potencial bélico e 1600 soldados de elite, várias favelas do Rio, onde o tráfego de drogas é mais intenso, para, num confronto com os criminosos, ir em busca das armas roubadas, ao mesmo tempo impedindo a distribuição da erva. Os tiroteios são contínuos, e o certo é que os crimes diminuíram. O comandante militar, com o apoio da Justiça, já anunciou que a perseguição só terminará quando as armas forem encontradas. Felizmente, apenas uma criança foi vítima dos confrontos, mas os moradores da favela da Providência, em vez de agradecerem por uma gestão militar em benefício de seu bem-estar, resolveram fazer um protesto em frente do CML, na Central do Brasil, para pedir a retirada das tropas, com o apoio da mídia. Está bem claro que tal atitude deve ter sido inspirada pelas gangues de traficantes, utilizando uma população que vive dominada por suas ameaças. O povo e a mídia vivem falando que o Exército é inútil e vive nos quartéis, quando ele sai às ruas, arriscando a vida em defesa dos cidadãos, eles partem para os protestos públicos e vão para os jornais criticar essa atitude patriótica. O que querem afinal? É preciso mesmo que o Exército nos defenda. Não é justo que o brasileiro, que paga seus impostos seja desrespeitado, maltratado, até dentro de seus estabelecimentos de trabalho, por esse bando de marginais que estão transformando o País num verdadeiro inferno, sob a cumplicidade ou indiferença de políticos e da Justiça irresponsáveis. (*) É escritora.

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