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Nº 5710
Opinião

Sa�de � vida

HUMBERTO MARTINS * Apesar dos pequenos progressos obtidos nos últimos cinco anos, ainda é muito grave a situação dos brasileiros que não dispõem de recursos para pagar a medicina privada e sua principal variante, que são os planos e seguros de saúde. A

Por | Edição do dia 21/05/2002 - Matéria atualizada em 21/05/2002 às 00h00

HUMBERTO MARTINS * Apesar dos pequenos progressos obtidos nos últimos cinco anos, ainda é muito grave a situação dos brasileiros que não dispõem de recursos para pagar a medicina privada e sua principal variante, que são os planos e seguros de saúde. A medicina privada tradicional paga diretamente pelo cliente a médicos e hospitais atinge menos de 1% das famílias brasileiras. Os planos e seguros de saúde aproximam-se de 40 milhões, nas modalidades pessoas física e empresarial. Os principais atendem de maneira satisfatória aos clientes, se bem que fiscalizados e cobrados à exaustão. Como em qualquer outra atividade, existe uma parcela de planos de saúde que nem devem ser denominados como tal, pois são verdadeiras arapucas, algo da atividade policial e judicial, quando elas são exercidas. Quanto à medicina pública, evoluiu no que se refere às grandes campanhas de vacinação, que erradicaram algumas doenças que no passado causavam mortes e mutilações sem conta. Está sendo derrotada, entretanto, a medicina pública, no enfrentamento de outras tantas moléstias, tais como dengue, tuberculose, hanseníase e demais típicas de uma nação parcialmente sem água encanada, esgoto e demais condições elementares de higiene. Outra face em que a medicina pública falha redondamente é no atendimento cotidiano. Conseguir a consulta de um oftalmologista, de um dermatologista, para quem não tem dinheiro vivo ou um plano de saúde, demanda, freqüentemente, semanas e até meses. E como todos sabem, questões de saúde não são daquelas que possam esperar longo período por um médico, por um exame, por um remédio. Por falar em remédio, essa é outra tragédia para milhões de brasileiros que não dispõem de renda mínima para tal – algo em torno de mais da metade da população, ou cerca de 100 milhões de pessoas. Remédios de uso contínuo, indispensáveis principalmente para pessoas de terceira idade, indicados para hipertensos, diabéticos e indivíduos que sofrem de males da próstata, entre outros, custam o equivalente a um salário mínimo ou mais. Como consegui-los sem sacrificar completamente as demais despesas imprescindíveis, tais como habitação, alimentação, roupas e transporte? As conseqüências desses desencontros e contradições no setor de saúde são as piores: avaliação da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) revela que doenças como a meningite, o tétano neonatal, a raiva humana e a dengue tiveram controle precário. Em uma dezena de Estados, o controle dessas doenças piorou em 2000, sendo considerada regular ou ruim. Essa é uma tendência que se acentua desde 1999. De acordo com levantamentos da Funasa, Alagoas está em vigésimo lugar entre os Estados brasileiros, em matéria de saúde pública, na frente da Bahia, Sergipe, Amazonas, Rondônia, Rio Grande do Norte, Maranhão e Pará. As avaliações mais negativas ocorreram nos Estados do Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Rondônia e Amazonas. No Pará, Roraima a Amazonas agravaram-se os números relacionados com a malária. Os melhores Estados, em matéria de saúde no Brasil são, pela ordem, os do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. A dengue é um capítulo à parte nas dificuldades brasileiras em matéria de saúde. Quatorze Estados têm uma situação considerada de alto risco, nesse particular. Já em matéria de controle da meningite, 11 Estados apresentaram progressos significativos. Um panorama da situação nacional revela resultados preocupantes. Mesmo se considerando a extensão territorial do País e as limitações financeiras, os resultados deveriam ser melhores. Ainda hoje, em pleno Século XXI, a saúde no Brasil está em risco se comparada com outros países desenvolvidos. Saúde é vida. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/AL

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