Opinião
Os marginais em festa
| Marcos Carnaúba * O Brasil é o país do Lalau que descansa em casa a depressão de não poder usufruir o que nos roubou; dos Sérgio Naya cuja avidez destruiu ideais e ceifou vidas ao construir edifícios com vícios; das Georginas e Valdomiros que abalaram os cofres públicos; dos envolvidos no escândalo do Banestado, no valerioduto do mensalão, na CPI dos Bingos, na CPI dos Correios - gerada por um novo tipo de profissional, consultor de propina - que uma parte do Congresso quer abafar. Triste País que louva Marcos Valério e Roberto Jefferson por abrirem as entranhas podres do poder público, expondo também as suas sob a certeza de inimputáveis novos milionários compradores de outros corruptos. Outrora as fontes de propinas eram as grandes obras de construção, mas hoje o enriquecimento ilícito está vinculado ao desvio de verbas para a saúde, educação, Bolsa-Família, merenda escolar e outros programas sociais, crime hediondo que cria fantasmas para receberem verbas públicas cujo desvio gera a sucumbência de tantos. A convulsão social se alastra Brasil afora sob a cegueira dos que não querem vê-la. Políticos e juízes corruptos são premiados com gordas aposentadorias mostrando ao povo que o desvio de verbas lhes enche os bolsos em curto prazo, fomentando a marginalidade dos que vêem no roubo, assalto e seqüestro formas fáceis de enriquecimento rápido. Policiais mal remunerados perecem em combates de rua ou se bandeiam para a criminalidade, seqüestros e assaltos se intensificam, condomínios são saqueados, delegacias e quartéis são alvos de bandidos - treinados durante o serviço militar quando recebem alimentação e soldo, devolvidos às ruas sem profissionalização ? que buscam, não só cinco fuzis, mas, também, desmoralizá-los, enquanto o cidadão se enclausura, desarmado e assustado. Coibir o nepotismo no Poder Judiciário - feudo que perdura desde a colonização, medida carente, contudo, do ponto eletrônico com impressões digitais e fotos de laranjas que irão render a parentela - foi salutar e esperamos que se estenda aos Poderes Legislativo e Executivo! Sob o alento desse sopro de moralização do serviço público, a Corte Suprema ora nos indigna ao premiar os apenados por crimes hediondos com a redução da pena sob bom comportamento, atributo que não externaram ao matar, estuprar, seqüestrar e destruir famílias. Triste Brasil onde os íntegros são expurgados, os marginais em festa zombam de todos enquanto ministros togados os afagam com benesses legais, mas imorais, sem reação do povo, miserável e feliz na própria desgraça! (*) É engenheiro civil e consultor.