Opinião
S�o Jo�o Maria Vianney
| Dom Edvaldo G. Amaral * Um pequenino povoado de uns quinhentos habitantes - menor que o Clima Bom - recebia em 1834 uma afluência de aproximadamente trinta mil peregrinos. Como explicar esse fenômeno que havia em Ars, a 40 quilômetros ao norte de Lyon, na França? Que havia de extraordinário ali que atraía tanta gente? Que iam fazer esses peregrinos vindos dos Estados Unidos e de vários países da Europa? A resposta é difícil de compreender à luz dos critérios humanos. Em Ars, havia um santo sacerdote chamado João Maria Vianney, conhecido hoje como o Cura d?Ars (cura é o vigário de uma pequena paróquia). Simples, humilde, sem dotes oratórios, sem nada que humanamente pudesse atrair multidões, a não ser sua santidade de vida, sua extrema austeridade de costumes, seu devotamento ao trabalho pastoral, sua união profunda com Deus na oração. Os peregrinos esperavam para ser atendidos em confissão pelo santo vigário horas e horas, às vezes a noite toda. Ele pacientemente, humildemente e demoradamente atendia a todos, com sacrifício de sua saúde, já debilitada. Dizia-se dele que operava curas milagrosas. Outros diziam que sofria com freqüência as perseguições do demônio. Outros que via com freqüência Nossa Senhora. O certo é que com seu exemplo, com sua palavra de santo, que mal era escutada pelos peregrinos e pouco compreendida pelos estrangeiros, ele havia convertido aquele povoado - antes totalmente indiferente à religião e à prática da vida cristã, vivendo só de bailes e bebedeiras - numa fervorosa comunidade eclesial. Filho de humildes camponeses, nascido a 8 de maio de 1786 em Dardilly, ali perto, João Maria foi cuidadosamente educado por seus pais nos princípios cristãos, com seus seis irmãos. Viveu os anos terríveis da Revolução Francesa (1789) com suas bárbaras conseqüências, que deram um banho de sangue em Lyon. No auge da perseguição religiosa, a igreja paroquial de sua aldeia foi fechada. Pastor de ovelhas e depois preceptor de filhos de famílias ricas, abraçou a vida eclesiástica, ordenando-se sacerdote em meio a inúmeras dificuldades em 1815. Três anos depois, seu bispo o enviou para Ars, povoado conhecido por ser tão pouco cristão. Grande parte de seu dia passava-o no confessionário. Acredita-se que as multidões que acorriam a Ars, atraídas apenas pela santidade de Vianney, tenham chegado a 20.000 pessoas por ano, no final de sua vida. Faleceu em 4 de agosto de 1859 e foi canonizado pelo papa Pio XI no Jubileu de 1925. (*) É arcebispo emérito de Maceió.