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Opinião

Avalia��o e evolu��o

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| Marcos Davi Melo * Churchill e Bernard Shaw eram adversários. O teatrólogo estivera em União Soviética, nos anos 30 do século passado, em companhia de Lady Astor. Naturalmente, viu o que quiseram mostrar; e voltou a Londres simpatizante do regime implantado a partir de Lenin. Bernard Shaw estreava uma peça e mandou a Churchill três ingressos, com um bilhete: ?Para o senhor, sua senhora e um amigo, caso o senhor tenha um amigo?. Recebeu de volta os ingressos, com um bilhete de Churchill: ?Hoje não posso ir à primeira apresentação de sua peça, porque já tinha compromisso assumido para o jantar. Mas gostaria de receber três ingressos para uma segunda apresentação, caso haja uma segunda apresentação?. A avaliação que as outras pessoas possam fazer do que fazemos, sempre é uma ameaça à integridade do nosso ego. Algumas atividades estão em permanente e pesada avaliação da coletividade, outras não, como o Judiciário. Daí a reação adversa dos juízes diante da avaliação promovida pelo Tribunal de Justiça, que, no fundo, a sociedade aprovou. Mesmo levando em conta as possíveis injustiças que toda e qualquer avaliação possa cometer o cidadão comum teve a efêmera sensação de que como qualquer outro ser humano, os juízes, normalmente encastelados em seus inexpugnáveis redutos, onde a todos podem julgar e condenar, possam também ser submetidos a algum tipo de julgamento, mesmo que seja apenas pela produção, não pela qualidade e unicamente por seus pares. Viver sem ser submetido a nenhuma avaliação é muito cômodo, mas também muito falso. Essa é a tendência natural das pessoas vaidosas de um modo geral e daquelas imaturas que assumem algum tipo de influência ou de poder e se cercam de bajuladores, que só lhes levam o que lhes massageia o ego e lhes engorda a personalidade hedonista. A história mostra que o final não é bom e os prejuízos são distribuídos por muitos outros além da corte de bajuladores. Como todos os médicos que exercem a profissão em regime liberal, estamos permanentemente sendo avaliados por nossos clientes, mesmo os humildes do SUS, que a cada dia estão mais exigentes e isso é balizador para a qualidade dos nossos serviços e para nossa sobrevivência. Como professor universitário, tenho feito seguidas auto-avaliações com os estudantes, sempre os deixando à vontade, sem que se identifiquem para poder fazer as suas críticas e estas quando recebidas com humildade, são um instrumento de evolução e amadurecimento, disponível a todos. (*) É médico.

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