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Opinião

Vencendo desafios

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| Joaldo Cavalcante * Fluía o ano de 1982 e se avizinhava a primeira eleição direta para governadores depois do golpe de 1964. Ronaldo Lessa já retornara definitivamente a Alagoas. O saudoso senador Teotônio Vilela, o menestrel da liberdade, fizera no ano anterior um chamamento em tom de desafio a Ronaldo, que havia decidido construir sua vida profissional no Rio de Janeiro, onde atuou como engenheiro inclusive da ponte Rio-Niterói e como líder de sua categoria. Teotônio seria o candidato da oposição ao governo de Alagoas, mas o destino lhe reservou um câncer implacável que ele enfrentou com dignidade. Teotônio, na verdade, queria que Ronaldo viesse empunhar a bandeira da oposição, reconstituindo suas raízes na terrinha. Era um desafio, porque o retorno significava também o lançamento de uma candidatura a deputado estadual, tendo os movimentos sociais como base de sustentação política. Conheci Ronaldo naquele período por intermédio de meu irmão, Regis Cavalcante. Ao lado de Dênis Agra, Cláudio Humberto e outros. Regis compunha um núcleo invejável de sustentação da candidatura de Ronaldo na área da comunicação. Militando no movimento estudantil, resolvi engajar-me na campanha, cujo comitê funcionaria numa casinha alugada na praça do Pirulito. Nessa época não existiam nem as ?vacas magras? e comício era normalmente feito em carroceria de caminhão. Ronaldo assumiu o desafio e foi bem-sucedido. Eleito deputado estadual, integrou uma das melhores legislaturas da história da Assembléia Legislativa. E sua trajetória é pontilhada de momentos desafiantes, como o de 1986. Sua reeleição era tida como favas contadas; até mesmo a pretensão de um mandato federal era observada com respeito pelos adversários. O caminho foi outro: vários partidos o convocaram para disputar o governo do Estado. A missão era antecipadamente reconhecida como impossível, pois a disputa já se polarizara entre Collor e Guilherme Palmeira. Ficou sem mandato, mas não abandonou a atividade política. Elegeu-se vereador por Maceió em 1988, rompeu injunções e desafiou a lógica reinante entre os analistas com sua candidatura vitoriosa a prefeito de Maceió no pleito de 1992. Todo mundo sabe o tamanho do abacaxi que Ronaldo herdou na Prefeitura e descascou, consagrando-se como candidato natural ao governo de Alagoas em 1998. Agora Ronaldo já se despede do seu segundo mandato de governador, porque precisa cumprir a legislação eleitoral. (*) É jornalista e secretário de Comunicação do Estado.

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