Opinião
Sem manipula��es - Editorial
Toda investigação de irregularidades no campo da política e da economia é uma contribuição para a cidadania. É normal que as demandas investigativas tenham como ponto de partida as disputas partidárias, tão normal que essa motivação acompanha a história da humanidade, seja no mundo antigo, seja nos tempos contemporâneos. É indispensável, porém, que interesses partidários não sigam livres suas próprias vontades e transitem em mão única, pois sem equilíbrio, sem a prevalência do espírito da Justiça, instala-se a execrável realidade da ?caça às bruxas?, processo no qual a verdade é a primeira das vítimas. A proximidade da eleição fornece combustível para a onda de denúncias e escândalos. E essa espiral de lama só tende a ser encorpada e a se tornar um objetivo em si ? ou seja, mais vale esticar que apurar os escândalos em pauta. Ninguém mais sabe qual o motivo precípuo das CPIs, nem quantas estão a funcionar no Congresso. O que se busca esclarecer mesmo? Quem freqüentava o lupanar cuja criação é atribuída a equipe da prefeitura de Ribeirão Preto na gestão Palocci? Ou quem se beneficiou com o jogo clandestino e os bingos? O hoje famoso Nildo seria caseiro ou leão-de-chácara? E a quantas anda a investigação sobre o mensalão? E o Valerioduto? Com toda a razão a cidadania exige explicações do governo federal e da Caixa Econômica sobre a quebra do sigilo bancário de um cidadão (quem quer que seja). A cidadania exige respostas sobre o que (além de sexo) se negociava na casa de tolerância resguardada pelo falante Nildo. A cidadania deve se levantar contra manobras como as que fizeram desaparecer nos desvãos do arquivamento a investigação sobre as ligações entre Marcos Valério e o senador Eduardo Azeredo, tucano de alta plumagem. Que todos, todos, os culpados sejam punidos, sem distinção de siglas, nem manipulações eleitoreiras.