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Nº 5730
Opinião

Os absurdos que a TV nos mostra!

| Lysette Lyra * Às vezes testemunhamos fatos reais, tão absurdos, divulgados pela televisão, que nos deixam incrédulos e assustados. Eles acontecem aqui mesmo em nosso País, nas barbas dos governantes. É abandono mesmo, no duro, e são pessoas, cidadãos

Por | Edição do dia 22/03/2006 - Matéria atualizada em 22/03/2006 às 00h00

| Lysette Lyra * Às vezes testemunhamos fatos reais, tão absurdos, divulgados pela televisão, que nos deixam incrédulos e assustados. Eles acontecem aqui mesmo em nosso País, nas barbas dos governantes. É abandono mesmo, no duro, e são pessoas, cidadãos brasileiros, entregues ao descaso daqueles que assumiram o compromisso de cuidar do povo que os elegeu, cheio de confiança e esperanças! Não, não é na África não! É no Brasil, ali em Marajó, numa cidadezinha chamada Anajás! A malária mata e inutiliza a saúde dos moradores sem que os governos se toquem com o tamanho do desastre. A malária já contaminou 80% das pessoas, numa população apenas de 18.000 habitantes. E é uma doença de tratamento simples, quando detectada correta e precocemente e cuidada com eficiência. Só que o atendimento tem de ser imediato, e faltam leitos e remédios suficientes para os inúmeros pacientes necessitados. Existem 150 pessoas a espera de um lugar nos poucos hospitais. Mais de 100 criaturas já morreram, ultimamente, dessa doença transmitida por mosquitos infectados. A principal iniciativa é combater o inseto transmissor, existente aos milhares nas regiões ribeirinhas da Amazônia. O remédio não é caro, mas o governo federal não abastece a zona suficientemente. Simplesmente ignora aquelas vidas sofredoras, impiedosamente. Enquanto isso, gastam-se bilhões em mensalões, em fraudes nunca apuradas, em obras superfaturadas, outras inacabadas, com o excesso de funcionários ociosos, com o desvio do dinheiro público guardado nos bancos dos paraísos fiscais. Desperdiçam-se as finanças da nação sem responsabilidade. Outras imagens transmitidas pela TV que nos deixaram chocados foram as que mostraram o estado calamitoso das delegacias de Maceió. Um verdadeiro horror! Imundas, frágeis, deprimentes. Não oferecem nem segurança, nem o mínimo de higiene. Afinal, presos são seres humanos, embora se comportem, na maioria das vezes, como animais impiedosos. As prisões deveriam ser lugares para reabilitação do indivíduo criminoso e não concorrerem para animalizá-los ainda mais. Castigo é castigo e delinqüente tem de pagar pelo que faz, mas os cárceres têm de ser humanos. Outro absurdo, por exemplo, é quererem (alguns juízes) diminuírem o período de penalidade de acusados de crimes hediondos. Se a violência já é insuportável, e alguns presos até gozam de regalias por negligência dos responsáveis, onde iremos parar com tais atitudes da justiça? (*) É escritora.

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