Opinião
O m�dico e a filantropia
| Aloísio Barroso * São vários os termos que se podem enfileirar-se sob o comando da filantropia, traduzindo-se em amor à humanidade. É evidente que a expensão dessas considerações não chega à maioria dos médicos. Seu foco centra-se ao redor da minoria dos senhores médicos, segundo revela a amostragem de contatos com pacientes do SUS e outros. Não são poucas as pessoas que dizem faltar ao médico os cuidados necessários, a partir da primeira consulta, sobretudo quando se trata de paciente da classe mais carente. É uma pena. Onde está o cumprimento da promessa que um médico faz solenemente ao recebimento do diploma? Há doentes aos quais não bastam os medicamentos prescritos. É necessário, na terapêutica, participação efetiva do carinho do médico, um maior interesse pela vida do paciente, seja ele de qualquer categoria social. Pode-se imaginar a falta que faz esses ingredientes (cuidado, carinho, interesse) no paciente portador de neoplasma maligno (câncer). Sem falar em outros males patológicos de igual densidade. Que essa minoria médica ouça o clamor silencioso daqueles que lhes faltam dinheiro e posição social. A filantropia faz parte, com peso, de seu juramento. Faça um exame de consciência e reflita sobre a procedência dessas considerações. Seja solidária, sobretudo na dor. Invertam-se os papéis e veja se não há razão para esse clamor. Já que o poder central não se importa o quanto teria de se importar em relação à saúde, essa minoria médica teria de fazer ? e fazer bem-feita ? a sua parte, isolando a condição socioeconômica do contexto de cada paciente, emprestando-lhe todo o conteúdo do seu juramento, no curso do tratamento. Afinal, há quem ignore o silencioso clamor de parte daqueles que necessitam de assistência médica? (*) É técnico de Administração.