Opinião
Recenseamento: uma solu��o paliativa
| André W. Carneiro * Conforme matéria publicada na Gazeta de Alagoas de 5 de março deste ano, o governo do Estado está realizando o recenseamento dos cerca de 60 mil funcionários públicos estaduais. Cerca?!?! Qual a empresa que não sabe o número exato de seus funcionários? Após o recenseamento teremos essa informação? Por quanto tempo esse dado ficará atualizado? O recadastramento não é a solução de quem busca qualidade de informação, mas sim uma das ferramentas necessárias. Eu me esforço para acreditar que é pela falta de conhecimento, e não pelo desinteresse, que os governos - federal, estadual e municipal - insistem em apenas se preocupar com o acerto da informação e esquecem de criar mecanismos que a mantenha atualizada. ?Com o recenseamento vamos encontrar casos de servidores que já morreram, mas que continuam na folha por falta de atualização de dados?, alertou Valter Oliveira, secretário de Administração. Eu me pergunto: não morrerá mais ninguém? E quanto aos outros dados recadastrados? Não teremos mais filhos (filiação)? Não faremos novos cursos (grau de instrução)? Não casaremos e/ou nos separaremos (estado civil)? Para se ter e se manter a informação qualificada deveremos observar três princípios básicos: primeiro, necessita ser conceitualmente única. Sempre que uma informação está cadastrada em mais de um lugar ela tende a perder a sincronia. Por exemplo, o endereço das correspondências que recebemos - luz, água, telefone... - possue o mesmo bairro, rua, CEP...?; segundo, precisa ser registrada no momento de sua ocorrência. Com o passar do tempo vamos esquecendo os detalhes; e por último, é relevante que quem a gerou efetue seu registro. Já brincaram de telefone sem fio? O que precisamos entender é que sozinho nenhum ministério, secretaria, órgão, empresa pública e/ou privada será detentora de uma base de dados 100% qualificada. A informação é um patrimônio público, ela é gerada e modificada pela sociedade, ou seja, é necessário participação de todos: governo, escolas, hospitais, IML, cemitérios, correio, empresas de serviço - água, luz, telefone... - cartórios, bancos, empresas em geral... Diante do exposto, acredito que atitudes isoladas, no trato da informação, tornam-se soluções paliativas, e que gastar recursos públicos consciente da necessidade futura de se refazer o trabalho, é desperdício do erário! (*) É analista de Sistemas de Informação.