Opinião
Sem sucesso - Editorial
Ao reconhecer a distância entre o planejado e o realizado, em termos de assentamentos, o superintendente do Incra em Alagoas confirma a dramaticidade da questão agrária e a incapacidade governamental em trabalhar positivamente metas exeqüíveis integradas a projetos ousados de fixação (produtiva e sustentável) do homem ao solo. Segundo informado aos prefeitos alagoanos, o Incra planejou instalar 8.350 famílias entre 2003 e 2005 e teria assentado apenas 1.300 famílias. Pelo relato da direção do Incra, não ficou claro se essas 1,3 mil famílias foram assentadas no último ano ou se o placar refere-se aos três anos inicialmente citados. Em qualquer hipótese, é muito pouco. Pode-se encontrar alguma motivação justa para as constantes revoltas dos sem-terra ? apesar de terem seus motivos, segundo os números do Incra/AL, os autodenominados ?sem-terra? têm falhado em seus objetivos, pois o que deveria ser protesto tem virado bagunça e desordem (contribuindo para que a sociedade lhes recuse apoio ou mesmo simpatia). A superintendência alagoana do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária consegue avaliar como ?fantástica? essa contabilidade, garantindo que o número de 1.300 famílias assentadas, apesar de ?estar longe? do objetivo, é o melhor ao longo dos últimos 20 anos em Alagoas. Se assim for, estamos plantando ineficiência há duas décadas. Assentar famílias de forma produtiva e sustentável é um objetivo estratégico para toda a sociedade e não apenas para os pretendentes à terra. Sem garantir a fixação, sobrevivência e prosperidade de milhares de famílias, as cidades serão explodidas pela multiplicação de retirantes (desempregados e despossuídos). Resolver o dilema agrário brasileiro é uma imposição para um melhor futuro do País. E, em Alagoas, esse problema está longe de ser equacionado.