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Banhos Bras�lia

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| Marcos Davi Melo * Nos anos 70 do século passado na maior cidade americana, Nova Iorque, capital mundial do entretenimento, foi elaborado um plano para abrir o maior bordel dos Estados Unidos. O estabelecimento deveria ficar próximo ao Times Square, local freqüentado anualmente por cerca de 30 milhões de visitantes, entre turistas e participantes de congressos, que geram um movimento anual de 10 bilhões de dólares. Previa-se uma reforma dos Banhos Luxor, na Rua 46, tradicional ponto de encontro de homossexuais, que seria transformado no maior, mais luxuoso e dispendioso ?salão de massagens? da nação. Quando a notícia se espalhou, o prédio se transformou em verdadeiro campo de batalha entre o governo municipal e empresários: políticos e clero de um lado, interesses comerciais e crime organizado de outro. Preocupados, aliaram-se ao prefeito da cidade homens de negócio e líderes religiosos que compuseram a Comissão Coordenadora do Respeito à Lei da Cidade de Nova Iorque e foi declarada uma guerra santa contra a pornografia e a prostituição. Curiosamente, investigações posteriores revelaram que o proprietário do edifício que deveria se transformar em superbordel era um dos membros mais proeminentes da Cruzada Contra a Esbórnia como ficou conhecida a douta comissão cívica, que pretendia extirpar do centro e se possível de toda Nova Iorque essas casas de tolerância mal disfarçadas. Depois de muita exaltação, muitos discursos, muito palavrório jurídico com acusações e contra-acusações, o ilustre membro da comissão se demitiu, o clero se acalmou, os Banhos Luxor retomaram as suas antigas funções e o crime organizado prosseguiu o seu caminho, abrindo ?clínicas? na base do cartão de crédito em outros bairros de Manhattam e os negócios na grande metrópole prosseguiram como de hábito. Os lupanares através dos tempos têm refletido a sociedade onde funcionam. Como a música, a pintura ou a literatura. Refletem a cultura da época com um bando variado de freqüentadores: ninfomaníacas, filles de joie, lésbicas, os perversos e malvados, até alguns virtuosos e principalmente, os poderosos, que os sustentam. Os bordéis são um produto da civilização. Nada de novo na casa de saliências de Brasília onde Palocci pode perder a ainda sustentada aura de intocável do governo Lula. O caso da quebra de sigilo do caseiro Francenildo, sim é mais grave, principalmente pelo período pré-eleitoral no qual todos são puritanos e só freqüentam a casa de mamãe. (*) É médico.

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