Opinião
Impunidade: a l�gica do ladr�o
| Sérgio Costa * Se ficarmos esperando, os anjos não trarão o alimento de que necessitamos. Temos de ir à luta. Na política, não é muito diferente. Se não cobrarmos responsabilidade e competência jamais seremos bem representados e recompensados pelo muito que pagamos. Porém, a julgar pela nossa síndrome de vira-lata, sou capaz de apostar que o próximo governante será pior do que o anterior. Raciocine comigo, leitor. O noticiário político tem anunciado exaustivamente que representantes políticos desperdiçaram avidamente o dinheiro público, endividaram a nação e aumentaram a carga tributária para socorrer seus privilégios. Dessas ações imorais resultaram: descrédito, enfraquecimento da economia, desemprego, fome e violência. Aqueles que adotaram e continuam adotando essas práticas foram ou serão punidos de acordo com os anseios da população? Não, é a triste resposta de sempre. Inspirado, pois, pela impunidade, o novo representante político ver-se-á obrigado a utilizar a psicologia do ladrão: se o meu antecessor fez o que fez, não foi punido, não demonstra remorso e está cada vez mais rico e saudável, burro serei eu se não aproveitar essa inusitada oportunidade para também melhorar de vida. Por que isso ainda ocorre no nosso País? Falta-nos brio para enfrentar essa situação ignominiosa. Talvez a consciência política da nossa sociedade ainda não tenha encontrado os meios para se convencer de que todos perdem com essa situação rabugenta. Enquanto vacilamos, a dupla explosiva (falta de vergonha e a impunidade) conseguiu contagiar ?docemente? todas as nossas gerações de políticos. E isso é fácil observar. Note que os acusados não ficam ruborizados diante das denúncias e, tampouco, sentem-se culpados pelo mal que causam aos outros. De fato, os palcos das CPIs apresentaram e continuam apresentando cenas que não nos deixam mentir. O corrupto olha nos olhos dos seus interlocutores, coloca o dedo em riste, engrossa a voz e diz: ?Aqui não tem ninguém melhor do que eu?. Os honestos questionam?! Não. É como se o corrupto estivesse conversando diante do espelho! A essa altura, o leitor se pergunta: E daí, como se resolve essa questão? Não tolerando a impunidade. Mas não tem aquela de ficar apenas dizendo que é otimista e que tem esperança no País. Isso é coisa de analfabeto político, de babaca que não sabe o que dizer! Esperança alienada, burra e omissa jamais alcançou objetivo algum. Temos de ir às ruas. Se ficarmos esperando, aposto que os anjos não moverão uma palha para nos ajudar. (*) É contador.