Opinião
Desemprego �bvio - Editorial
Pelas contas do IBGE, o desemprego cresceu 10,1% no mês de fevereiro. Segundo o coordenador da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, esse resultado ?representa um sinal de alerta?. Alerta? Será que alguém acreditava que de fato o Brasil estivesse (ou esteja) vivendo um processo real de ampliação da oferta de emprego? Na verdade, o alerta que algo não estava indo no rumo certo foi dado quando pesquisas anteriores registraram surpreendente (no sentido de inusitado, inexplicável) crescimento de ofertas de postos de trabalho. Afinal, como se avançar em novos empregos quando a economia não cresce? Postos de trabalhos a mais significam (em todos os tempos) resposta a um processo de crescimento da economia. Fenômenos acontecem, e poderia estar ocorrendo algo fenomenal no Brasil, no caso de ser mantida uma contradição estonteante entre a estagnação do crescimento econômico e o avanço da oferta de emprego (ou estaríamos vivendo uma onda de multiplicação de empregos improdutivos?). Deveríamos estar alertas há muito tempo, desde que, ainda nos tempos de FHC, passou a vigorar o conceito de que a única saída seria somar juros estratosféricos com carga tributária exorbitante para produzir um gigantesco superávit primário. Desde quando o único compromisso é pagar mais do que os credores exigem ? e isso significa nenhum dinheiro disponível para investir em desenvolvimento ? o alerta é mais do que explícito: estamos afundando! A renúncia ao esforço para se implementar quaisquer modelos de desenvolvimento real e sustentado só pode apontar para um horizonte onde o desemprego é o cenário. O IBGE apenas confirma o desemprego como a tendência óbvia e ululante de uma estratégia político-econômica iniciada pelo governo FHC e continuada no governo Lula. A pesquisa avisa que esse rumo tem de ser mudado.