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Estamos na quaresma

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| Dom Fernando Iório * Estamos envolvidos pela quaresma. Será que sabemos ainda o que é quaresma? Talvez tempo quaresmal não signifique algo de importante para muitos batizados em quem, como afirma Peguy, a água do batismo enxugou depressa. Convém, entretanto, sempre lembrar que quaresma é tempo de conversão e mudança. Converter-se é como melhorar de uma doença. Trata-se de um milagre que Deus somente pode realizar. Por que, então, esse milagre teria de vir em março e não em outubro ou agosto? Por que, ainda, fixa a Igreja, na quaresma, o tempo da conversão? Aquilo que fazemos agora, refletindo sobre a conversão, constitui uma invocação a Deus para pedir essa mudança de mentalidade. Estamos provocando a sua intervenção. É essa a intenção da Igreja, quando propõe o tempo da quaresma. Quando se fala de conversão, deve-se ter em mente o pecado. Mas como apresentar o pecado aos homens e mulheres de hoje? Talvez mostrando ser o pecado tremenda traição. Traição a Cristo, ao seu programa de amor, ao seu ideal sublime. Torna-se, por isso mesmo, uma traição a seus discípulos, a quantos se comprometeram com Ele procurando alcançar a mesma meta - a da unidade. A humanidade é uma só, como um só ser humano. Entretanto, ela está dividida. Em nossa sociedade, há sinais dessa divisão, por toda parte. Vejam-se as cidades: há os bairros ricos e privilegiados, ao lado dos periféricos e miseráveis. Quem foi o autor dessa tamanha divisão? Cristo ou os seres humanos? Não apenas somos muitos, também vivemos divididos e, até mesmo, em confronto uns com os outros. Cristo veio ao mundo para realizar seu programa de fazer dos homens uma só coisa, juntando os pedaços, atualmente, dispersos. É esse, exclusivamente, o plano de Jesus. Nós somos uma só coisa, porque o Pai nos glorificou. Trabalhar com Jesus Cristo é lutar pela união entre os seres humanos, para que se dê um passo adiante no caminho da comunhão. Semear confusão, desunião e violência no mundo significa trair o programa de Cristo: nisso reside o pecado. Podemos ser descendentes do Adão divisor ou do Adão unificador. Podemos permanecer com esta reflexão: pecado é divisão, é aquilo que contribui para que nos odiemos e nos massacremos. O tempo quaresmal convida-nos a colaborar com Jesus que veio para unir. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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