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Opinião

Fases de inquietude

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| José Medeiros * Há temas que, uma vez levantados, entram no palco de discussão dos leitores. Recentemente, escrevi uma crônica sobre a convivência das famílias com os adolescentes, por vezes, difícil, complexa e cheia de atribulações. Publicada a crônica, recebi uma série de e-mails e telefonemas de leitores e amigos que davam opiniões sobre o assunto. De uma escritora mineira, com quem conversei, recebi um texto do qual reproduzo o primeiro parágrafo: ?Haverá idade em que as pessoas sejam, simultaneamente, mais absurdas e mais belas? A adolescência é a fase da febre da razão, e, até que as chamas dos olhos se transformem em serena luz de sabedoria, muito tempo passará; aparecerão impedimentos e dificuldades a serem vencidos. Tempo é vida e vida é tudo o que temos. Os sentimentos dos adolescentes em relação ao tempo (pouco tempo, tempo demais, a sensação de viver somente no presente) ampliam as manifestações de sua agressividade. É preciso sorver a vida em grandes goles, viver apenas o presente. Em regra geral, a eles pouco importa o passado e o futuro?. É difícil para muitos pais e mães conviverem com as reações dos adolescentes, que buscam freneticamente a liberdade, odiando limitações. São inevitáveis os choques de opiniões. Uma garota de dez anos contou-me o diálogo que manteve com uma amiga. Desejavam tomar banho na piscina da casa de uma amiga, e a mãe de uma delas, se opunha tenazmente. O diálogo entre as garotas: ?Tente outra vez: aconselhou a amiga. Torre o juízo dela. Insista, não desista. - Ela não cede, já me aborreci, chorei, bati o pé. - Ela cede, sim, queime o ouvido dela. Ameace desaparecer de casa. Alguns minutos depois, a amiga telefonou, dizendo: - Ela cedeu, ainda estou chorando, mas já estou vestindo o biquíni; se apronte; somente voltaremos à noite?. Os psicólogos aconselham que os pais mantenham uma posição de firmeza. Se cederem sempre, estarão deseducando, não é bom exemplo para a formação dos adolescentes. Caso não sejam definidos os limites, com amor, com disciplina, os anos futuros poderão ser nebulosos. Sabe-se que, se os pais não conseguiram impor limites a eles próprios, fica difícil impô-los aos filhos adolescentes. Não há fórmulas científicas para resolver esses problemas. Eu mesmo ainda me embaraço na aprendizagem de ser avô. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde

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