Opinião
Berlim, Alemanha
| Rubens Villar * O povo alemão tem a fama de ser determinado, trabalhador, eficiente. O seu sucesso econômico é notável. É a terceira economia mundial depois dos Estados Unidos e Japão, e o principal líder da Comunidade Européia. Inegavelmente houve substancial ajuda externa e forte participação de milhares de imigrantes que ajudaram-na a soerguer dos escombros da segunda guerra mundial para a prosperidade. Após a sua capitulação, a antiga capital do Reich, Berlim, por um acordo entre as potências vitoriosas, foi dividida em quatro setores: americano, britânico, francês e russo. Com o tempo, as relações azedaram e os soviéticos em 1961 construíram um pesado muro separando Berlim Ocidental de Berlim Oriental. De um lado o símbolo máximo da cidade: o Portão de Brandemburgo, na famosa Under Der Linder, onde Hitler, nos momentos festivos da nação Alemã, arrogantemente desfilava suas tropas, dominadas por ferrenha disciplina militar e envolvidas pela sua oratória flamejante, coadjuvada pelo gênio da comunicação Josef Goelbels, ministro da Propaganda. Do lado Ocidental Reichstag abrigava o Parlamento Alemão, incendiado no período nazista e depois reconstruído. Dois grandes símbolos da nação alemã separados pelo famoso Muro de Berlim que ainda hoje tem preservado trecho onde funciona um museu a céu aberto com flagrantes fotográficos dos líderes nazistas e suas atrocidades, a sede da temida Gestapo, polícia secreta do regime e o quartel general das tropas de elite SS. Próximo, outro trecho, intacto, visitado por historiadores, curiosos e turistas. São 1.300 metros às margens do famoso Rio Spree que serpenteia no coração da grande metrópole germânica. Visitamos Berlim em setembro do ano passado em companhia de Miriam e Cícero Canuto e mais 23 companheiros, vindo de Wanemünde célebre porto de onde saíam navios carregados de tropas alemãs para dominar a Escandinávia e o Mar Báltico, desde a Dinamarca à União Soviética. Em 1979, há 24 anos, em companhia do deputado Narciso Lúcio, do jornalista Josué Jr., do municipalista José Rebelo, de Palmeira dos Índios estivemos em Berlim, a convite da Associação Brasileira de Municípios e da Federação Alemã para o Desenvolvimento Internacional. Naquela ocasião o muro parecia inabalável e quase intransponível. Um dos momentos mais emblemáticos da história recente da humanidade foi a sua queda após 28 anos de sua brutal existência. (*) É ex-deputado, ex-senador e ex-governador de Roraima.