Opinião
Relato explosivo - Editorial
Como não poderia deixar de ser, o relatório final da CPI dos Correios está provocando uma acirrada polêmica entre os parlamentares. A bem da verdade, a primeira impressão é que a maioria dos caciques da oposição e da situação manifesta seu descontentamento com o escrito pelo relator. A oposição acha pouco, quer a inclusão do próprio presidente entre os indiciados; a situação considera demais a inclusão de ex-ministros (afastados de suas cadeiras por conta das muitas CPIs). Enquanto segue a polêmica, é necessário reconhecer que o relatório final da CPI dos Correios avança corajosamente em dois pontos nevrálgicos (talvez fatais) para uns e outros. O primeiro ponto delicado calcado pelo relatório reconhece a existência do mensalão. O segundo ponto nodal é a lembrança do nome do senador tucano Eduardo Azeredo como um dos envolvidos com o Valerioduto (quem sabe, o pai do esquema). A hipótese da confirmação do mensalão é certamente o calcanhar-de-aquiles das casas legislativas. Reconhecer a sua existência é algo impensável para quem não deseja ir até o fim do poço da falta de ética e apenas almeja liquidar a carreira do adversário. E no caso do Valerioduto (canal de transposição de caudaloso dinheiro de contas privadas e públicas para caixas dois, três e mais), é pura mesquinhez limitar as denúncias apenas aos limites da bancada de sustentação do atual governo, afinal os levantamentos iniciais apontam inquestionavelmente para outros importantes astros da política nacional, como o ex-presidente do PSDB e ex-governador de Minas Gerais. Em ambos os casos, o relatório final da CPI dos Correios exibe coragem. Cabe aos parlamentares brasileiros, agora, relegar a segundo plano as querelas eleitorais e aproveitar a oportunidade para dar uma prova de cidadania, indo até ao fim, esclarecendo todas as denúncias, doa a quem doer.