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Opinião

Os predadores

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| Eduardo Bomfim * Em meio à luta política, teórica e ideológica, que toma conta do País e de Alagoas, encontro algum remanso lendo os cadernos de cultura dos jornais da província. Deparo-me com o ensaio da jornalista Denise Mota, articulista da Folhapress. Trata-se de um texto sobre o último livro do escritor angolano Artur Carlos Mauricio Pestana dos Santos, respeitado internacionalmente pela qualidade da sua obra. Conhecido como Pepetela, ganhador do Prêmio Camões de Literatura em 1997 e, se não me falha a memória, pelo livro Geração da utopia. Trabalhando em Brasília, em uma viagem oficial pela África, em especial por Moçambique e Angola, com uma rápida passagem na África do Sul, tive a oportunidade de conhecer Pepetela, com outros artistas e intelectuais, em uma recepção promovida pelo excelente embaixador brasileiro Ivo Taunay. Provei da feijoada angolana, ouvi música da melhor qualidade, aprendi muito sobre Angola e o continente africano. De Pepetela, guardei um livro com autógrafo afetuoso. Trata-se de um homem discreto, sem afetação, ouvinte atento e que se expressa medindo as palavras, assim como quem escreve um livro. Foi um dos comandantes da guerrilha de libertação contra o colonialismo português. Homem de confiança de Agostinho Neto, líder da revolução emancipadora no país. Tanto que foi vice-ministro da Educação de 1997 a 1982. Até hoje, continua fiel aos seus princípios, à luta, ao povo angolano, pelos quais arriscou a própria vida. Papo descontraído, o escritor disse-me que apesar do espírito de africanidade, perguntar se alguém é tão somente do continente, seria o mesmo que abordar um brasileiro, chileno, argentino e perguntar se eles eram sul-americanos. A resposta será óbvia, sim, mas brasileiro etc. Quer dizer não há lá na África, como propagam, uma espécie de pan-africanismo predominante. Pela resenha da jornalista, Pepetela revela certo desencanto com os rumos atuais em contraponto a sua ?geração da utopia?, os combatentes da primeira hora. Fala sobre uma burguesia emergente, corrupta. Os predadores. No entanto, pela integridade moral, política, creio firmemente nos pepetelas, no futuro das nações da África. Apesar das incertezas atuais e séculos de espoliação hedionda. (*) É advogado.

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