Opinião
Novas regras - Editorial
Os maiores partidos políticos brasileiros preparam-se para as eleições deste ano com dificuldades em equacionar as contradições entre os interesses eleitorais nacionais e locais. No âmago da questão está a inconsistência da tese que garantiria serem os objetivos nacionais prioritários em relação às motivações provincianas. Na verdade, as disputas estaduais continuam a jogar o papel de principal objeto de atenção das lideranças nos estados. O conceito da verticalização foi descartado, praticamente por unanimidade, graças a essa realidade. Os maiores partidos políticos brasileiros preparam-se para as eleições deste ano sem dificuldades para levar adiante o velho projeto de dificultar a participação eleitoral das chamadas pequenas legendas. A chamada ?cláusula de barreira? inicia um processo, aparentemente irreversível, de concentração de poder nas mãos de umas poucas legendas (será que se almeja um regresso a dicotomia Arena ? MDB?), donde será ainda mais difícil o funcionamento de agrupamentos independentes da força dos grandes caciques e de suas eficientes burocracias partidárias. O eleitorado brasileiro prepara-se para as eleições deste ano ainda sem perceber que os resultados deste pleito terão efeitos mais profundos que a escolha do presidente, dos governadores, senadores e deputados estaduais e federais. As eleições deste ano estão colocadas como um divisor de águas no processo eleitoral e, independente dos eleitos, das modernas urnas eletrônicas sairá um modelo no qual se fortalece o velho caciquismo partidário. O tempo dirá sobre os resultados práticos dessas duas mudanças fundamentais: a dispensa de coerência entre as alianças para as disputadas nos estados e pela presidência; e a restrição à multiplicidade de legendas. Seja como for, que o fortalecimento das instituições figure como meta.